12/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Uma pergunta que continua a nos assombrar

Publicado em 06 de setembro, 2011

Cheguei em casa por volta das 4h30 da manhã, fui direto para o quarto. Estava exausto. Liguei a televisão e, quase instantaneamente, dormi. Havia acabado de presidir longo e desgastante julgamento realizado perante o Tribunal do Júri Popular, na Câmara Municipal de Humaitá, onde o réu foi, inclusive, absolvido. Pela manhã, a notícia. Não estava totalmente acordado, e ouvia uma voz distante anunciando o ocorrido; nem parecia real, então, me virei e comecei a prestar atenção ao noticiário.

Ainda sou capaz de me ver assistindo as imagens dos prédios pegando fogo, de ouvir as especulações dos jornalistas sobre os responsáveis e suas motivações, de sentir o clima de insegurança que se seguiu a tudo isso. E, depois, os prédios desabando…. E com eles parte dos alicerces de uma das maiores e mais sólidas democracias do mundo.

Ninguém mais estava seguro. Em nome do combate ao terror, liberdades começaram a ser suprimidas, guerras foram travadas e mesmo hoje continuam, vejamos o ocorrido com o Iraque. E George W. Bush, o político cujo governo não deu importância para as informações que poderiam ter evitado a tragédia, pasmem: foi reeleito graças a ela e a sua política antiterror com as infindáveis buscas por “armas de destruição em massa” que jamais foram encontradas.

O assassinato de Yitzhak Rabin, Primeiro-Ministro de Israel, no dia 4 de novembro de 1995, pelo estudante judeu ortodoxo Yigal Amir, militante de extrema-direita que se opunha às negociações com os palestinos, quando participava num comício pela paz na Praça dos Reis (hoje Praça Yitzhak Rabin) em Tel Aviv, talvez tenha sido o fato que mais diretamente contribuiu para o surgimento da crise de liderança em favor da paz no mundo, abrindo caminho para o 11 de setembro.

É assustador: como podem uns poucos homens terem causado tanto estrago, pondo abaixo tantas certezas e conduzido a humanidade ao impasse liberdade versus segurança? Dez anos se passaram e essa pergunta continua a nos assombrar.

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Luis Cláudio Chaves

* Luis Cláudio Chaves é juiz de direito.

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.