14/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Estrangeiros também devem ter cotas

Publicado em 03 de setembro, 2011

Já faz mais de cinco anos que os trabalhadores do Polo Industrial de Manaus (PIM) vêm discutindo a necessidade de se estabelecer cotas para trabalhadores estrangeiros atuarem, em caráter não permanente, nas indústrias locais. Não é nenhuma medida discriminativa, tanto é que atualmente aceitamos a vinda de profissionais especializados para que eles implantem sistemas ou que aprendam a nossa metodologia de trabalho, mas, no máximo 0,5% dessas atividades são aceitas por nós, no setor industrial. Esse número é visto como não prejudicial à contratação dos trabalhadores do Amazonas.

Da mesma forma vimos forçando as empresas a evitarem a terceirização da mão de obra, porque ela não garante os mesmos benefícios dados aos trabalhadores contratados de forma direta. Essa é uma luta da Central Única dos Trabalhadores (CUT), juntamente com o Sindicato dos Metalúrgicos, por entendermos ser essa prática um drible da empresa à convenção coletiva da categoria e à luta pelo suado piso salarial dos metalúrgicos.

Conforme foi comentado por leitor do www.portaldomarcossantos.com.br, o Sindicato dos Metalúrgicos se empenha em antecipar às artimanhas empresariais, que em nome de uma suposta comodidade logística, terminam por convencer as autoridades, a necessidade de transferirem para outros Estados os seus setores administrativos, contábeis, financeiros. O Sindicato dos Metalúrgicos vem trabalhando junto a parlamentares e autoridades do governo estadual, a obrigatoriedade desses setores atuarem na mesma área onde funciona a sua linha de montagem. Assim poderemos acabar com essa “brincadeira de mau gosto”, de retirar de nosso parque industrial os postos de trabalho suadamente conquistados.

Nossa metodologia é de enfrentamento, mas zelamos também pela linha negocial, da conciliação, da articulação política sindical para atingirmos nossa meta. É assim que vimos conquistando, cada vez mais, espaço nas mesas de negociações. Com isso, podemos empreender projetos importantes para o trabalhador, assim como, convencer os empresários a necessidade de reabrir o Centro de Comércio e Indústria da Zona Franca (Cecomiz). Ele foi criado como vitrine de exposição e vendas dos produtos da ZFM a preços convidativos.

Também estamos lutando para que as empresas vendam a preços de fábrica e sem limites pré-estabelecidos, os produtos produzidos por ela, a seus funcionários, em lojas próprias. Não tem porque ser ao contrário. Não somos diferentes dos outros trabalhadores do Brasil. Podemos ser melhores, não o outro lado da moeda furada.

Daí a exigência dos metalúrgicos feita aos políticos do Amazonas. Eles são os responsáveis pela pecha de povo provinciano, que nos persegue há anos e, de nos colocar sob o risco de sermos dissolvidos dentro desse processo. Não aceitaremos mais essa situação de província imposta a nós amazonenses, sob pena de darmos uma resposta política a essa inconsciência social atribuída aos parlamentares.

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Valdemir Santana

* Valdemir Santana é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.