15/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Vacina contra HPV está disponível para público masculino

Publicado em 18 de julho, 2011

Estima-se que 50% das pessoas sexualmente ativas vão adquirir o vírus do HPV em algum momento, embora apenas uma pequena parte desse grupo, sobretudo mulheres, desenvolverá lesões precursoras de câncer. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) licenciou o uso da vacina quadrivalente contra o papilomavírus humano (HPV) para meninos e homens entre 9 e 26 anos. Até então, no Brasil, a vacina só era liberada para o público feminino, na mesma faixa etária.

A indicação para o sexo masculino tem o intuito de oferecer proteção contra as verrugas genitais associadas à infecção pelos subtipos 6 e 11 do HPV, que além dos prejuízos estéticos e do desconforto, são capazes de aumentar o risco de transmissão de HIV.

Nas mulheres, o HPV está relacionado com mais de 90% das ocorrências de câncer de colo de útero. No Brasil, ainda são registrados mais de 19 mil casos dessa doença a cada ano. Devido à alta prevalência da infecção, a probabilidade de se expor ao HPV é grande para quem já iniciou a vida sexual.

“A vacina já é obrigatória nos Estados Unidos. Há diversos estudos científicos voltados principalmente para câncer de colo de útero, que comprovam seu impacto positivo sobre a prevenção dessa doença”, afirma o infectologista Jessé Reis Alves, responsável pelo Serviço de Vacinação do Fleury Medicina e Saúde. No caso dos meninos, a vacina quadrivalente pode proteger contra as verrugas genitais, o que também já havia sido demonstrado nos estudos iniciais que motivaram a implantação da vacina para mulheres.

A formulação liberada pela Anvisa é denominada quadrivalente, uma vez que protege contra quatro subtipos do HPV (6, 11, 16 e 18), sendo os dois primeiros associados a 90% das verrugas genitais, e os últimos, responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo uterino. Segundo Alves, a vacina é segura, pois não traz o vírus ativo e sim fragmentos dele, sintetizados em laboratório.

A vacina contra HPV é comercializada desde 2007, e sua aceitação tem sido crescente junto à população, que passa a entender que a imunização é um importante instrumento na prevenção do câncer de colo uterino. Para quem estranha o fato de vacinar uma garota de 10 ou 12 anos contra uma DST, Alves lembra que “a hepatite B, em nosso meio, é transmitida principalmente por via sexual e as crianças recebem a vacina, como parte do calendário oficial, ainda no primeiro ano de vida”. Além disso, a imunização precoce possibilita que o indivíduo já esteja protegido contra o HPV quando inicia sua vida sexual, o que aumenta o impacto da vacina.

“A preocupação, se existir, deve se concentrar na abordagem do assunto com os jovens, que não podem supor que a imunização dispense o uso de preservativos, o rigor na escolha dos parceiros e o acompanhamento ginecológico anual”, pondera Alves.

 

O que é o HPV?

Da família Papilomaviridae, a espécie papilomavírus humano abrange mais de 200 subtipos. Boa parte produz apenas verrugas, e cerca de20 a 30 tipos alojam-se na área genital. Dois deles, o HPV-16 e o HPV-18, estão fortemente relacionados ao câncer de colo uterino. A forma mais comum de transmissão é a sexual. Mas os vírus também podem ser encontrados vivos em roupas íntimas, sabonetes, objetos, instrumentos médicos e até nas mãos, o que explica a possibilidade de contrair a doença mesmo em relações sexuais com preservativo. A infecção causa coceira e irritação, na fase inicial, e produz verrugas genitais, que podem trazer desconforto e sangrar. A infecção persistente determina alterações nas células da região, que podem evoluir para lesões que predispõem ao câncer. Existe tratamento para todos os tipos de lesão, que, entretanto, não elimina a presença do vírus. Por outro lado, nem sempre a infecção traz sintomas, por isso é importante manter o acompanhamento ginecológico periódico.

 

Sobre a vacina

A vacina quadrivalente contra a HPV, comercializada no Brasil sob licenciamento da Anvisa é indicada para a população feminina e masculina de 9 a 26 anos, preferencialmente antes do início da vida sexual, porém pode ser feita a qualquer momento nessa faixa etária. O esquema recomendado é composto por três doses. A segunda dose deve ser administrada dois meses após a primeira, e a terceira dose administrada quatro meses após a segunda. Podem ser relatados febre e dor, eritema ou edema no local da aplicação, segundo o infectologista.

 

Mais informações:

A4 Comunicação – tel. (11) 3897.4122

Veja mais notícias em Releases

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.