A presidente Dilma Rousseff recolheu quase todos os votos do estado do Amazonas sem pronunciar, uma vez sequer, essas duas palavras mágicas: convergência digital. Falou em prorrogar a ZFM (minha PEC está aí para isso) e, após o pleito, em estender os incentivos para os municípios da Região Metropolitana. Outra PEC de minha lavra, aliás, está à disposição de Sua Excelência.
Em convergência digital não falou. Assim como não mencionou as cidades de Jundiaí e Paulínia, que estão virando “zonas francas” no governo atual.
O remédio amargo veio depois. Seis meses de gestão e é um golpe atrás do outro.
Perdemos os modens (MP 517) e os tablets, tão essenciais à vida contemporânea (MP 534). E a tortuosa “reforma tributária” em curso, que marginaliza o Congresso, ameaça a economia amazonense com nocivas manipulações do ICMS.
O ministro Pimentel referiu-se também a nossa vocação turística. Claro que adoto a ideia de que devemos ampliar o leque de opções econômicas para não ficarmos na dependência, única e exclusiva, do PIM. Discordo é da possível insinuação de que devamos trocar indústria por turismo ou outra atividade qualquer. E não aceito que se ventile a possibilidade de virarmos mero jardim zoológico.
O discurso do governo está cada vez mais embaralhado e, com isso, crescem as incertezas nas vidas dos amazonenses. Que já têm sido muito prejudicados por atitudes de governo equivocadas, negativas para o modelo que nos tem sustentado esse tempo todo.
Dou um exemplo: no período entre 2003 e 2008, investiu-se em torno de R$2 bilhões em ciência, tecnologia e inovação, entre recursos federais e do próprio estado. Qual o efeito verdadeiro desse investimento? Por que não se reduziu a dependência dos incentivos fiscais? O gato comeu o dinheiro que deveria representar alforria econômica para o nosso povo?
É preciso rever esse fracasso, transformando-o em êxito, daqui em diante. Juntar UFAM, UEA, FAPEAM num trabalho entrosado. Levar o INPA a dedicar parte de suas pesquisas a viabilizar o futuro do PIM.
Sem privilegiar tecnologia e inovação, não sobreviverá o modelo Zona Franca de Manaus. Os impasses estão postos com muita clareza. E já se perdeu tempo demais com comemorações irrealistas e arrogantes e/ou com a ideia tacanha de que temos “inimigos” de um lado e “protetores” do outro.
Somos aptos para cuidar de nossa própria defesa. Não somos menores de idade cívicos.
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* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus