08/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

A Festa dos Bumbás

Publicado em 02 de julho, 2011

O povo parintinense realizou, dias 24, 25 e 26 de junho, o 46º Festival Folclórico de Parintins, com transmissão nacional da Band. Nesta década, os bumbás Garantido e Caprichoso completam 100 anos de existência e chegam ao auge da expressão da cultura cabocla, da convivência com a floresta, do legado negro-africano, branco-europeu e índio-brasileiro.

Parabenizo os integrantes e dirigentes do Garantido, vencedor deste ano, e, igualmente, os do Caprichoso, que também ofereceu espetáculo de altíssimo nível à plateia. A diferença entre ambos foi de apenas meio ponto, o que demonstra o equilíbrio na disputa.

Escrevo, com o alcance planetário da Internet, para aqueles que ainda não viveram a experiência de ir à festa.

Não é gratuito o interesse que a Festa dos Bumbás desperta. A sede municipal de Parintins fica na principal ilha do arquipélago fluvial das Tupinambaranas, no rio Amazonas, na divisa amazonense com o Pará, equidistante entre Belém e Manaus. O acesso à cidade só pode ser feito por avião – dificultado pelo absurdo preço das passagens – ou por barco.

É assim que, geograficamente isolado, o povo parintinense acabou criando um caldo cultural próprio, reconstruindo o Boi Bumbá, inserindo elementos indígenas e absorvendo com maestria técnicas de artes plásticas oferecidas pelos sacerdotes europeus, católicos e protestantes, que chegaram à Ilha. Hoje, o espetáculo adquiriu beleza plástica e amplitude cênica incomparáveis.

As surpresas se sucedem. As torcidas, 25 mil pessoas do lado vermelho do Garantido e 25 mil do lado azul do Caprichoso, se revezam em cantar e pular incentivando a apresentação do bumbá preferido. Quando uma canta a outra, reverentemente, silencia. Módulos alegóricos vão entrando e aos poucos compondo cenários gigantescos, que ocupam a imensa arena do anfiteatro que recebeu o nome de Bumbódromo.

A Band mostra isso muito bem, nacionalmente, mas a energia do local é única. A própria cidade, que tem cerca de 60 mil habitantes, com os 50 mil turistas que comparecem à festa, se torna um grande palco. Há shows por toda parte. Triciclistas conduzem no pedal alegres casais, em passeio românticos, entre uma aglomeração e outra. Nos arredores da Ilha, nessa época coalhada de barcos, a natureza é exuberante.

Com o grande know-how adquirido, os artistas parintinenses se espalham pelo País e oferecem brilho a outros eventos, especialmente o Carnaval do Rio de Janeiro, onde os movimentos da águia da Portela e a beleza dos carros alegóricos em geral têm muito a ver com essa gente.

Sinto-me orgulhosa de manifestar o convite aos colegas Deputados Federais, aos Senadores, às autoridades de Brasília em geral, aos jornalistas e ao povo brasileiro como um todo, para que conheçam essa festa. Não tenho medo de dizer que todos vão gostar. O ritmo da toada e o carinho com que as pessoas abrem os braços para receber os visitantes conquistam.

Garantido e Caprichoso, mais que dois bumbás, são a síntese da capacidade brasileira de espalhar alegria, talvez o mais valioso patrimônio imaterial de nossa terra.

Vá ver. Tem todo ano, no último fim de semana de junho. Você vai gostar.

 

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Autor
Rebecca Garcia

* Rebecca Garcia (PP-AM) é deputada federal e vice-líder do Governo na Câmara Federal.

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