Em 1876, o senhor Graham Bell depositou, na Seção de Patentes de Washington, os desenhos de um aparelho eletromagnético que permitia a duas pessoas falarem e ouvirem-se a grande distância. Era o telefone.
O telefone difundiu-se rapidamente pelo mundo todo. A partir de então, se tornou indispensável companheiro de nossa vida diária. O surgimento do telefone móvel – o celular – foi um grande salto tecnológico, que mudou radicalmente a comunicação interpessoal: atualmente, o telefone deixou de ser somente um meio de interação pessoal. Transformou-se não só num veículo de comunicação como num instrumento de trabalho e de lazer. Para alguns, é quase um acessório do próprio corpo.
Tirar fotos, ouvir músicas ou mesmo acessar a Internet são algumas das possibilidades de se conectar com o mundo inteiro que o homem moderno conquistou. O que é melhor, sem nem mesmo sair do lugar.
E o que dizer dos orelhões? Lembra deles? Bem, todos sabem o que é um orelhão, e de sua importância. Acontece que desde o surgimento dos celulares, ele tem perdido espaço na vida das pessoas. Dificilmente alguém passa o dia sem efetuar ou receber uma ligação. Faz parte do cotidiano das pessoas, companheiro quase que inseparável. Algumas pessoas, quando esquecem o celular em casa, chegam à via do desespero, já não passam sem ele. E os orelhões? Onde entram nesse contexto? É isso que gostaria de compartilhar com vocês.
É na hora do desespero, quando o celular falha, que nos lembramos do nosso amigo “orelhão”. Sujo, escondido, todo descascado, rachado, pichado, sem iluminação, sem o fone, com goma de mascar onde é inserido o cartão e sem sinal. Esses foram alguns dos problemas detectados em orelhões na cidade de Manaus.
Basta o celular estar fora de área ou sem bateria, para nos lembrar do Telefone publico, e que na maioria das vezes não pode ser funcional, causando a ira das pessoas. Independente do uso ou não do aparelho ele deve sempre funcionar, para o uso da população. É a ele que reivindicamos auxílio e que nos acolhe em momentos em que pedimos amparo.
Basta andar pelas ruas de Manaus para constatar a má conservação dos Telefones públicos, seja devido aos atos de vandalismo da própria população da cidade, seja pelo desgaste causado pelo tempo e pela escassez de reparos da empresa responsável. Mas, o fato é que um número exorbitante de telefones públicos encontra-se em condições caóticas e sem possibilidades de uso.
No dia 3 de Junho realizei a minha própria pesquisa de campo em relação a esses aparelhos de telefonia publica. Saí do Bairro do Planalto, vindo pela Estrada dos Franceses, segui pela Rua Recife, Teresina, Paraíba, Salvador. Dei a volta na Rua Fortaleza e retornei pela Rua Paraíba, próximo da Sefaz.
Encontrei 40 Aparelhos de Telefonia Publica e, desses, somente seis estavam funcionando. Somente 15% desses aparelhos estavam funcionais.
Para a Pedagoga Maria José, o fato de não conseguir efetuar ligações em orelhões é desgastante. “Às vezes, existe apenas um telefone público em uma rua. Caso não funcione, é preciso andar até conseguir outro”, diz.
O professor Alessandro Lima reclama do descaso e da falta de conservação. “O uso do telefone celular fez com que a manutenção desses aparelhos ficasse para segundo plano e a compra de créditos para os celulares não motiva as pessoas à compra de cartões telefônicos” enfatiza o professor.
Entrei em contato com a empresa OI, responsável pelo serviço de telefonia publica, pelo número 10331. Uma educada secretária eletrônica me atendeu e me passou o seguinte protocolo de atendimento: 20111081201994. Aguardei por cerca de cinco minutos até a ligação cair.
Segundo o Programa de Metas de Qualidade estabelecido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), as empresas têm um prazo de até oito horas para efetuar o conserto dos aparelhos. Hoje passei em alguns dos orelhões danificados e eles continuam do mesmo jeito: surdos e mudos.
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* Cleonço Lucena é biólogo, coordenador de meio-ambiente do Colégio Literatus, especialista em ge...