FDN Pura, de João Branco, tenta dominar Manaus aumentando tensão com Zé Roberto e Mano G

Seis homens foram executados durante treino no campo de futebol do CSU da Compensa, bairro onde nasceu a FDN. Polícia ainda não concluiu o inquérito. Foto: Arquivo

Quarenta dias depois da chacina que deixou seis pessoas mortas e pelo menos 15 feridas durante um treino de futebol na Compensa, o racha interno da terceira maior facção criminosa do Brasil, a Família do Norte (FDN), continua sendo extra-oficialmente a principal linha de investigação da polícia.

Segundo o delegado titular da Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Juan Valério, a relação entre os crimes e o racha entre os chefões da facção ainda está sendo investigada e sob sigilo.

Domínio da cidade

Mas Juan Valério confirma que o narcotraficante João Pinto Carioca, o João Branco, que cumpre pena no presídio federal de Catanduvas (PR), tentar dominar a cidade, fortalecendo o que ele mesmo chama de FDN Pura.

“A FDN Pura é o lado do João Branco, com o qual busca dominar, também chamada de Potência Máxima. Dos líderes, o Gelson Lima Carnaúba, o “Mano G”, é o braço mais fraco hoje, e o José Roberto, o Zé Roberto da Compensa, é o que chamam de 01. Ele sempre buscava apaziguar as partes, mas isso nunca evitou confronto entre eles. Um lado sempre queria que ele tomasse partido”, explica o delegado.

Autofagia

Numa espécie de autofagia, os líderes da FDN parecem ir pelo caminho autodestrutivo. A chacina de 12 de dezembro, no reduto de Zé Roberto, onde nasceu a facção, teve armamento pesado, fuzis e homens encapuzados. Foi uma execução com recado dado.

Extra-oficialmente há uma ligação entre a morte de um ex-presidiário ocorrida no dia 11 de dezembro, de Jorge Alberto Barreto, 30, o “Buiu”, executado com quatro tiros, na Cachoeirinha, e as mortes no campo. “Buiu” seria ligado ao traficante “Mano G”, que cumpre pena no presídio federal de Catanduvas (PR).

Lá também está preso o Zé Roberto e patrocinador do Compensão, time que disputa competições pela cidade. Em 2016, o escudo do Compensão estava pintado na cela de Zé Roberto e nos principais corredores do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

Retaliação

A chacina seria uma retaliação entre comandados de Mano G e Zé Roberto. Ambos tem envolvimento com os massacres ocorridos no Compaj.

Carnaúba e Zé Roberto são fundadores da facção criminosa. E dos dois são citados como autores intelectuais, ao lado do narcotraficante João Branco, na denúncia do Ministério Público (MP-AM) sobre um dos maiores massacres do Brasil, no Compaj, em janeiro deste ano.

Massacre

A chacina que resultou na morte de 56 presos foi em alto grau de violência e barbárie, com decapitações e esquartejamento de vítimas rivais da facção, do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a denúncia, o massacre serviu também para os chefes da FDN causarem pânico aos rivais. Agora o pânico está dentro da facção.

Os mortos no campo de futebol foram Michel de Sena Passos, 33; David Costa da Silva, 27; Ronaldo de Oliveira Souza, 23; Edilson Xavier Diniz Júnior, 24; José Diego Sena Serrão, 17; e Rodrigo de Oliveira Souza, 24.

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