David Assayag completa 50 anos e considera toada de boi bumbá ‘madura para explodir’

David Assayag completa 50 anos

David Assayag completa 50 anos e está no estúdio, gravando o CD do Caprichoso 2018. Na foto, Alysson Low (esquerda, dono do Studio ABM, local da gravação), maestro Labamba, colunista Sinny Lopes, David Assayag, Babá Tupinambá (presidente do Caprichoso), Neil Armstrong (maestro) e Sidney Rezende (ex-Garantido e estreando no Caprichoso).

Carlinhos Brown e Leandro Lehart aprovaram. Os finalistas do curso da Tuna de Engenharia da Universidade do Porto (TEUP) a apresentaram como espécie de “obra-prima”. Batuqueiros de São Luís, Maranhão, a tocaram na rua, com infinidade de instrumentos. “A toada está pronta para explodir”. O veredito é do Rei David, para a torcida do Garantido, ou Imperador, para os do Caprichoso. David Assayag completa 50 anos nesta terça (16/01) em plena maturidade. “Ele canta, dá palpite no arranjo, não deixa a gente esquecer de enfatizar a percussão. Até hoje, 30 anos depois, me emociono quando canta certas toadas”, afirma o maestro Neil Armstrong, 45, parceiro constante.

Veja o vídeo dos alunos da Tuna de Engenharia da Universidade do Porto (TEUP) interpretando “Índio do Brasil”. Os autores são Geandro Pantoja e Demetrius Haidos (Garantido, 2004).

E agora ouça a interpretação de David Assayag, ainda no Garantido:

David cantava no Caprichoso. Fez backing vocals (vocal de apoio) para Rey, ao lado de Arlindo Jr., no primeiro vinil gravado de toada (1986). Depois se tornou o Rei David, ídolo da torcida do Garantido. Chegou ao auge com a toada “Vermelho”, de Chico da Silva, ao lado de Fafá de Belém, em 1996.

Em 2010, o “Rei” virou sapo para a torcida do Garantido. Surpreendeu o mundo bovino ao se transferir para o “contrário”. Pior. Justificou dizendo que estava cansado de trabalhar sem receber. Desprezado por um lado, ídolo por outro. David logo se tornou o Imperador da torcida do Caprichoso.

 

Estúdio e arena

Uma das maiores indagações sobre a carreira de David diz respeito ao processo que usa para decorar tantas letras de toadas. Cego, devido a um descolamento de retina mau cuidado, ele tem seus truques. “As músicas são gravadas em takes, como se faz com os vídeos. Não são várias imagens juntadas para fazer um filme? Assim a gente faz com a música. Quando estamos no estúdio, o David ainda não sabe completamente a letra. Só vai aprender nos meses entre a gravação e a apresentação no Bumbódromo. Aí ele já está pronto”, revela Neil Armstrong.

Músicas complicadas, cheias de características que exigem muito do cantor, como “Amazônia nas cores do Brasil”, quanto tempo fica pronta? “O David põe a voz final em cerca de uma hora”, calcula Neil.

Ouça “Amazônia nas cores do Brasil”, de Adriano Aguiar:

Outro segredinho, revelado pelo amigo e maestro, é quanto aos samplers, substituição de instrumentos ao vivo por gravados, no Bumbódromo. “Tem algumas coisas que não dá para reproduzir ao vivo com a mesma fidelidade do estúdio. ‘Viva a Cultura Popular’ (ouça abaixo), por exemplo, leva pro Bumbódromo a introdução feita em estúdio. Já a Marujada de Guerra não tem como fazer em estúdio. Quando ela entra, a banda tem que estar pronta, ao vivo”, acrescenta.

Ouça “Viva a Cultura Popular”, de Adriano Aguiar:

O sampler tem sido apoio valioso para os músicos. Cantores viajavam com bandas de 10, 12 músicos. Hoje, com a crise, viajam com quatro ou cinco. Algumas coisas vão prontas. Surdo, caixa, violão e teclado, eles levam. O resto vai sampleado. “Todos os cantores estão fazendo isso. O David não leva nada de voz. Tanto em shows, quanto em arena fica tudo melhor ao vivo”, enfatiza Neil.

 

A Sensibilidade do ‘Carcaça’

David tem um capítulo à parte na carreira. Foi quando voltou para o Caprichoso, em 2010. Recebeu diversas homenagens em toadas. Gonzaga Blantz fez a bela “Estrela de David”. “Sensibilidade”, de Adriano Aguiar, carinhosamente tratado por “Carcaça”, o tocou profundamente. “O David acreditou nela desde o início. E vem concorrendo com a toada, emocionando o Bumbódromo, há vários anos”, diz o amigo. A letra afirma que é a emoção que guia o cantor e ele “sente o que os olhos não veem” (ouça:).

Adriano, aliás, tem papel importante na carreira do artista no Caprichoso. “Ele faz toadas pensando no David cantando. Era assim no ‘contrário’ (Garantido) quando as coisas funcionavam”, diz Neil.

O jovem Adriano Aguiar apresenta, este ano, a toada “Mãe Terra”. O Portal do Marcos Santos conseguiu uma “demo”, uma versão preliminar. Está na voz de David Assayag, com participação da cantora Luanita Rangel. Tudo indica que, na versão final, a voz será de Mara Lima, que desde o ano passado também trocou o Garantido pelo Caprichoso.

Ouça, em primeira mão, o “demo” de “Mãe Terra”, de Adriano Aguiar:

 

As ‘clássicas’

As duas toadas mais cantadas por David Assayag, aquelas que não podem faltar nos shows? “Canoeiro”, de Ronaldo Barbosa (Caprichoso, 1994), e “Lamento de raça”, de Emerson Maia (Garantido, 1996).

 

Evolução musical da toada

A música, como a cultura no todo, é dinâmica. A toada tem os instrumentos tradicionais, mas está vivendo grande mudança devido à evolução dos compositores. “Tem muita gente nova. Muita gente ouvindo outras coisas. O Caprichoso está repleto de toadas estratégicas. Muitas novidades serão apresentadas no Bumbódromo este ano”, revela Neil Armstrong. Se a toada está pronta, o que dizer do mais importante dos levantadores? “Também acho que vai estourar. Está na hora. Tem muita coisa que não é só toada. É música boa”, afirma David.

Toadas de efeito, como “Somos Marujada de Guerra” são trilhas de lendas, rituais, figuras típicas e tribais. “Todas as músicas terão novidade musical na arena este ano. Não posso falar da parte artística, de alegoria ou coreografia. Só da parte musical. Vamos inovar com percursionistas, orquestras, corais. Muitas novidades”, revela Neil Armstrong.

David Assayag merece o “boom” que está vindo por aí. Feliz aniversário, Rei. Ou melhor, Imperador.

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