06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Judocas brasileiras superam preconceito e inspiram jovens atletas

Publicado em 15 de março, 2026

Rafaela Silva e Jéssica Pereira debateram carreira em evento no BNDES. (Foto: Reprodução)

“Quando eu comecei a fazer esses eventos, eu via que eu não podia parar, porque através da minha história, da minha conquista ali, da minha medalha, eu estava inspirando outras gerações”.

A fala é da judoca brasileira Rafaela Silva, que, juntamente com Jéssica Pereira, ambas da seleção brasileira de judô, participaram de evento sobre equidade de gênero e desenvolvimento social por ocasião do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

O debate ocorreu na última quinta-feira (12), no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. As atletas falaram sobre carreira, dificuldades de se manter no esporte de alto rendimento e preconceitos sociais e de gênero enfrentados ao longo da trajetória.

Atualmente com 28 medalhas olímpicas, o judô é o esporte que mais rendeu pódios ao Brasil nos Jogos Olímpicos. Das cinco medalhas de ouro conquistadas pelo país, três são de atletas femininas: Sarah Menezes (2012), Rafaela Silva (2016) e Beatriz Souza (2024).

A conversa foi mediada pela gerente de comunicação da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Camila Dantas.

Presença feminina

Aos 33 anos, Rafaela conta que conheceu o judô aos 5, por meio de um projeto social próximo de sua casa, na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Depois de não se sentir acolhida nas aulas de futebol, onde era a única menina do grupo, percebeu que no judô as crianças treinavam juntas independentemente do gênero.

Jéssica Pereira, de 31 anos, é tricampeã pan-americana e heptacampeã brasileira. Ela começou no esporte aos 7 anos como forma de se afastar da violência na Ilha do Governador, próxima ao Morro do Dendê.

“Quando eu recebo uma mensagem no Instagram dizendo que eu sou uma inspiração ou uma criança falando que entrou no judô porque me viu lutar, esses momentos são muito gratificantes”, afirmou.

Rafaela lembra que, quando começou na seleção brasileira, em 2008, os treinos no Japão eram reservados apenas para homens, pois havia dúvidas sobre o nível técnico das mulheres. Segundo ela, o cenário mudou com o tempo.

“O judô feminino é igual ao masculino. A gente luta o mesmo tempo, recebe a mesma premiação e tem as mesmas oportunidades, mas as pessoas ainda têm essa visão”, disse.

Desafios e conquistas

Rafaela também recorda que enfrentou preconceito durante a carreira, inclusive dentro da própria família.

“Muitas tias falavam que judô era coisa de homem. Com o tempo, quando passaram a entender nossa história dentro do esporte, essa visão mudou.”

Apesar dos obstáculos, as atletas brasileiras acumulam conquistas importantes. A ex-judoca Mayra Aguiar, por exemplo, é a maior medalhista brasileira da modalidade, com três bronzes olímpicos em Londres 2012 e Tóquio 2020. Ela foi a primeira mulher brasileira a conquistar três medalhas olímpicas em esportes individuais, marca que hoje divide com a ginasta Rebeca Andrade.

Federação internacional

A Federação Internacional de Judô também tem incentivado o crescimento da categoria feminina. No Campeonato Mundial de 2017, foi criada a competição por equipes mistas, reunindo atletas homens e mulheres na mesma disputa.

Antes disso, as competições por equipes eram separadas por gênero. A mudança levou países tradicionais na modalidade, como Geórgia, Azerbaijão e Uzbequistão, a investirem mais na formação de atletas mulheres.

De olho nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, Rafaela Silva afirma perceber um aumento na presença feminina nas competições e diz que, aos 33 anos, ainda não pensa em se aposentar.

Agência Brasil

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