27/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Povo Parakanã reocupa território após retirada de invasores no Pará

Publicado em 02 de março, 2026

Povo Parakanã reocupa território após retirada de invasores no Pará

Desintrusão concluída em 2024 ainda deixa desafios e ameaças. (Bruno Peres/Agência Brasil)

Dois anos após a retirada de invasores da Terra Indígena Apyterewa, no sudeste do Pará, o povo Parakanã retomou a ocupação plena do território e planeja ações para o futuro. Apesar disso, ainda enfrenta consequências de décadas de ocupação ilegal por produtores rurais e grileiros.

A desintrusão — retirada de não indígenas de terras protegidas — foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal em 2023. Na TI Apyterewa, o processo começou em outubro daquele ano e, em março de 2024, o território foi simbolicamente devolvido aos Parakanã. Mais de 2 mil não indígenas foram retirados nos primeiros meses.

Mesmo sem moradores ilegais, órgãos federais continuam atuando na área, pois parte do rebanho bovino ainda permanece dentro do território. Das cerca de 50 mil cabeças de gado existentes durante a ocupação, aproximadamente 1.300 animais continuam espalhados em 43 pontos, segundo monitoramento do Ibama.

Durante uma operação para retirada do gado remanescente, em dezembro, o vaqueiro Marcos Antônio Pereira da Cruz, de 38 anos, foi assassinado. A Polícia Federal prendeu um suspeito e mantém as investigações sob sigilo.

Lideranças indígenas relatam ameaças e ataques após a desintrusão. O carro da associação Tato’a, que representa o povo Parakanã, foi alvo de tiros, e aldeias sofreram investidas de pistoleiros. Segundo o cacique Mamá Parakanã, houve oito ataques e um indígena foi baleado na perna.

A TI Apyterewa possui cerca de 773 mil hectares e abriga aproximadamente 1.400 indígenas. Demarcada nos anos 1990 e homologada em 2007, a área sofreu invasões nas décadas seguintes, principalmente por pecuaristas, tornando-se a terra indígena mais desmatada da Amazônia.

Dados do Inpe indicam que o desmatamento atingiu o pico em 2022, com 102 km² devastados, e caiu mais de 90% após a desintrusão, chegando a 7,5 km² em 2025.

Indígenas relatam que a fauna começa a retornar com a recuperação ambiental. Espécies como jabuti, mutum e porcos-do-mato voltaram a ser avistadas.

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a presença contínua do Estado é essencial para garantir a proteção territorial e os direitos constitucionais dos povos indígenas. O Ministério da Justiça informou que reforçou o efetivo da Força Nacional na região e prevê novos envios conforme a necessidade.

Enquanto articulam medidas de proteção, os Parakanã buscam parcerias para recuperar áreas degradadas. O próximo passo é o reflorestamento, com capacitação já realizada junto às mulheres da comunidade para coleta e plantio de sementes.

Agência Brasil

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