Mudado o governo, pouquíssima coisa mudou e muitas ameaças a direitos adquiridos e a conquistas avançam com muita força. E o pior, mudanças sem critérios, sem auditoria preliminar ou de estudos de impacto sobre a vida dos brasileiros nos próximos anos. E piora ainda mais quando vemos que praticamente todos os maiores defensores da aprovação da PEC dos gastos e da provável Reforma da Previdência estão a um passo da prisão. Estamos exatamente nas mãos de pessoas de passado negro ou duvidoso.
Bem antes de estourar a primeira delação da Odebrecth eu falei a um grupo de amigos que Temer não terminaria o mandato. Quem lê os meus artigos sabe que não sou filiado a nenhum partido e que aqui mesmo critiquei o que vinha acontecendo no governo Dilma. E de lá pra cá pouca coisa ou quase nada mudou.
O atual governo só fala em cortar gastos e reformar a Previdência, como se só isso fosse resolver os problemas do Brasil. Só agora, quando a delação do fim do mundo começou a surgir, que o ministro Henrique Meirelles correu da sala pra cozinha a fim de lançar, até o dia 15, medidas paliativas pra tentar estancar a opinião pública, que desaprovou Temer nas últimas pesquisas realizadas e que já fala abertamente em Impeachment. As denúncias atingem o presidente.
Em pesquisa feita antes da divulgação da primeira delação, 51% dos brasileiros acham que o governo Temer é ruim ou péssimo, o pessimismo com relação à economia aumentou para 41%, e sua popularidade – que já era baixa – despencou em cinco meses. Vejam que foi só a primeira das 77 pessoas que mostrarão ao Brasil a banda podre da política nacional. Vem aí as esperadas delações de Marcelo e de Emílio Odebrecth, que sacudirão as bases da República.
Que venham os nomes. Que tudo se esclareça. Não é fácil viver num país onde uma verdadeira quadrilha se apossou das riquezas, vivendo das maiores mordomias das cortes que lembram Luiz XVI e Maria Antonieta, enquanto o povo morre nas filas dos hospitais públicos ou pela violência, sem a menor compaixão, enquanto muitos morrem de fome. A diferença é que na Revolução Francesa a guilhotina não passou a mão na cabeça dos acusados.
A França, em 1789, era um país falido. Os exageros da corte, os gastos excessivos com guerras, a indisposição com a Inglaterra e os privilégios dispensados ao clero e à nobreza, fizeram aumentar a insatisfação da população.
Os impostos eram altos e serviam para custear a boa vida da corte. A incapacidade do rei no governo que só esbanjava também motivou a revolução. Além de levar o país à falência com a péssima administração econômica, ele ainda controlava os tribunais e fazia condenações injustas, de acordo com a sua vontade. Agora fechem os olhos e comparem a situação de lá e de cá.
Quando vemos um Rio de Janeiro falido e fazendo festas, Copa e Olimpíadas, acompanhadas por vários estados, e se noticiam os milhares de dólares desviados; Quando se ostentam as riquezas saqueadas do povo e esbanjadas em restaurantes, viagens para o exterior e joalherias mundo afora, sabemos que isso se multiplica em maior ou menor escala em outros lugares.
Diante de tudo isso, pergunto: Todos somos iguais perante a Lei? Pelo menos a Constituição Federal diz que sim, mas estamos bem distantes dos ideais da Revolução Francesa. Liberdade, Igualdade e Fraternidade não vigoram por aqui.
Quando vemos o presidente do Senado Renan Calheiros debochar de uma determinação da Suprema Corte do Brasil, ludibriar o oficial de justiça, golpear uma decisão e humilhar o ministro Marco Aurélio, aí temos a certeza de que tem gente que deita e rola somente em cima de ladrão de galinha.
*Auditor fiscal da Sefaz.
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* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.