
Acordo comercial avança com apoio mínimo necessário entre os países do bloco europeu e pode ser assinado já na próxima semana. (Foto: Reprodução)
Os embaixadores dos países da União Europeia aprovaram de forma provisória, nesta sexta-feira (9), a assinatura do acordo comercial entre a UE e o Mercosul, considerado o maior tratado do bloco europeu em termos de alcance econômico. A decisão ocorre após mais de duas décadas de negociações e intensas articulações diplomáticas para assegurar apoio suficiente entre os Estados-membros.
Segundo fontes diplomáticas da UE, ao menos 15 países — que representam 65% da população do bloco — manifestaram voto favorável, percentual mínimo exigido para a aprovação. As capitais europeias têm prazo até as 17h no horário de Bruxelas (13h em Brasília) para formalizar a confirmação por escrito.
Com o sinal verde, o caminho fica aberto para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o acordo com os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — possivelmente já na próxima semana. Ainda assim, o tratado precisará passar pelo crivo do Parlamento Europeu antes de entrar em vigor.
Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que o pacto é estratégico para ampliar mercados, compensar perdas causadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência europeia da China, especialmente no acesso a minerais considerados essenciais. A Comissão Europeia concluiu as negociações há cerca de um ano e tem atuado para viabilizar politicamente o texto.
A resistência, porém, permanece significativa. Liderada pela França, maior produtor agrícola da UE, a oposição argumenta que o acordo pode resultar em aumento das importações de alimentos mais baratos — como carne bovina, aves e açúcar — pressionando agricultores europeus. Nesta sexta-feira, produtores rurais promoveram protestos em diferentes países, com bloqueios de estradas na França e na Bélgica e manifestações na Polônia.
Para tentar reduzir as críticas, a Comissão Europeia incluiu salvaguardas que permitem suspender importações de produtos agrícolas sensíveis, reforçou controles sanitários e de resíduos de pesticidas, criou um fundo de crise e prometeu acelerar medidas de apoio ao setor agrícola, além de reduzir tarifas sobre fertilizantes. Mesmo assim, França e Polônia mantiveram posição contrária, enquanto a Itália mudou o voto e passou a apoiar o acordo.
Em termos econômicos, o tratado prevê a eliminação de cerca de € 4 bilhões em tarifas sobre exportações europeias. Atualmente, países do Mercosul aplicam tarifas elevadas, como 35% sobre peças automotivas, 28% sobre produtos lácteos e 27% sobre vinhos. A expectativa é que o comércio bilateral, que somou € 111 bilhões em 2024, seja ampliado de forma equilibrada.
Apesar do avanço, o debate está longe do fim. A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que a disputa continuará no Parlamento Europeu, onde a votação promete ser apertada. Organizações ambientalistas também criticam o acordo, classificando-o como prejudicial ao clima. Já o presidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, o alemão Bernd Lange, demonstrou confiança na aprovação final, prevista para abril ou maio.
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