
Médico e pesquisador João Bosco Botelho morre aos 75 anos e deixa legado para a medicina amazonense
O Amazonas se despede, nesta segunda-feira (9/12), de um dos nomes mais brilhantes e respeitados da medicina local. Faleceu, aos 75 anos, em decorrência de um AVC, no Rio de Janeiro, o médico, professor e pesquisador Dr. João Bosco Lopes Botelho, referência nacional e internacional em otorrinolaringologia, cirurgia de cabeça e pescoço e formação acadêmica em saúde.
O corpo do Dr. João Bosco Botelho será trasladado para Manaus, onde ocorrerá o sepultamento — ainda sem data divulgada pela família.
Com uma trajetória marcada por excelência, dedicação e profundo compromisso com o conhecimento, Dr. Botelho deixa um legado imensurável. Autor de mais de 200 publicações científicas e mais de 15 livros, pós-doutor pela Universidade de Paris e detentor de inúmeras premiações internacionais, ele elevou o nome do Amazonas ao cenário mundial da pesquisa médica. Sua atuação transformadora incluiu a criação da conhecida “incisão de Botelho”, técnica cirúrgica que revolucionou o tratamento de bócios de grande volume em regiões bociogênicas — contribuição reconhecida e utilizada em diversos países.
Professor brilhante, formador de gerações e defensor da ciência pública, Dr. Botelho foi líder em iniciativas acadêmicas na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), além de ter desempenhado papel decisivo no fortalecimento do ensino e da pesquisa na Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ). Seu trabalho também impulsionou programas de residência médica em parceria com instituições francesas, ampliando oportunidades para jovens médicos da região.
Natural de Manaus, sempre fez questão de reconhecer o papel das instituições públicas em sua formação e carreira, assumindo como missão pessoal devolver ao Estado o conhecimento que adquiriu ao longo da vida. Humildade, generosidade, rigor técnico e amor pelo ensino marcaram cada etapa de sua jornada.
O Amazonas perde um mestre, um cientista e um médico que dedicou sua vida a cuidar de pessoas e a ampliar fronteiras do conhecimento. Seu legado permanece vivo em cada paciente atendido, em cada aluno formado e em cada avanço científico que ajudou a construir.