06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Queda global nos preços dos alimentos se estende por três meses, aponta FAO

Publicado em 05 de dezembro, 2025

Relatório destaca recuos generalizados nas commodities, com exceção dos cereais. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Os preços internacionais de alimentos recuaram novamente em novembro, marcando o terceiro mês consecutivo de queda, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (5) pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A maioria dos principais grupos de produtos registrou redução, com exceção dos cereais.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO — que reúne uma cesta de commodities negociadas mundialmente — ficou em 125,1 pontos no mês passado. O resultado é inferior aos 126,6 pontos revisados de outubro e representa o menor patamar desde janeiro. Na comparação anual, o indicador recuou 2,1% e segue 21,9% abaixo do pico alcançado em março de 2022, logo após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Entre os destaques, o açúcar teve um recuo expressivo: queda de 5,9% em relação a outubro, atingindo o menor nível desde dezembro de 2020, impulsionada por expectativas de ampla oferta global. Já o setor de laticínios registrou a quinta queda seguida, de 3,1%, influenciado pelo aumento da produção de leite e da disponibilidade para exportação.

Os óleos vegetais também ficaram mais baratos, com retração de 2,6%, atingindo o nível mais baixo em cinco meses — o recuo do óleo de palma e de outros óleos superou a leve alta do óleo de soja. As carnes caíram 0,8%, principalmente devido às baixas observadas nos preços da carne suína e de frango, enquanto a carne bovina se manteve estável após a retirada das tarifas dos Estados Unidos sobre as importações.

O único grupo em alta foi o dos cereais, que avançou 1,8% no mês. Os preços do trigo reagiram diante do avanço da demanda da China e das tensões geopolíticas no Mar Negro. Já o milho foi influenciado pela forte procura internacional por grãos brasileiros e por atrasos no plantio em partes da América do Sul devido às condições climáticas.

Em relatório separado, a FAO revisou para cima a projeção da produção mundial de cereais para 2025, estimando um recorde de 3,003 bilhões de toneladas — acima das 2,990 bilhões previstas anteriormente, impulsionada principalmente pelas novas estimativas para a safra de trigo. A organização também elevou a previsão dos estoques globais de cereais para o ciclo 2025/26, agora estimados em 925,5 milhões de toneladas, devido ao esperado aumento das reservas na China, Índia e em países exportadores.

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