
Relatório destaca recuos generalizados nas commodities, com exceção dos cereais. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Os preços internacionais de alimentos recuaram novamente em novembro, marcando o terceiro mês consecutivo de queda, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (5) pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A maioria dos principais grupos de produtos registrou redução, com exceção dos cereais.
O Índice de Preços de Alimentos da FAO — que reúne uma cesta de commodities negociadas mundialmente — ficou em 125,1 pontos no mês passado. O resultado é inferior aos 126,6 pontos revisados de outubro e representa o menor patamar desde janeiro. Na comparação anual, o indicador recuou 2,1% e segue 21,9% abaixo do pico alcançado em março de 2022, logo após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Entre os destaques, o açúcar teve um recuo expressivo: queda de 5,9% em relação a outubro, atingindo o menor nível desde dezembro de 2020, impulsionada por expectativas de ampla oferta global. Já o setor de laticínios registrou a quinta queda seguida, de 3,1%, influenciado pelo aumento da produção de leite e da disponibilidade para exportação.
Os óleos vegetais também ficaram mais baratos, com retração de 2,6%, atingindo o nível mais baixo em cinco meses — o recuo do óleo de palma e de outros óleos superou a leve alta do óleo de soja. As carnes caíram 0,8%, principalmente devido às baixas observadas nos preços da carne suína e de frango, enquanto a carne bovina se manteve estável após a retirada das tarifas dos Estados Unidos sobre as importações.
O único grupo em alta foi o dos cereais, que avançou 1,8% no mês. Os preços do trigo reagiram diante do avanço da demanda da China e das tensões geopolíticas no Mar Negro. Já o milho foi influenciado pela forte procura internacional por grãos brasileiros e por atrasos no plantio em partes da América do Sul devido às condições climáticas.
Em relatório separado, a FAO revisou para cima a projeção da produção mundial de cereais para 2025, estimando um recorde de 3,003 bilhões de toneladas — acima das 2,990 bilhões previstas anteriormente, impulsionada principalmente pelas novas estimativas para a safra de trigo. A organização também elevou a previsão dos estoques globais de cereais para o ciclo 2025/26, agora estimados em 925,5 milhões de toneladas, devido ao esperado aumento das reservas na China, Índia e em países exportadores.