
Expansão para 48 seleções amplia diversidade, mas impõe desafios operacionais em um torneio disputado no verão da América do Norte. (Foto: eprodução)
Os olhos do futebol mundial se voltam para Washington, D.C., nesta sexta-feira (5), quando será realizado o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026. O evento marca a estreia do novo formato com 48 seleções divididas em 12 grupos — e coloca em evidência tanto o grande número de novatos quanto as preocupações crescentes sobre o calor extremo previsto para o torneio.
A Fifa apresenta a expansão como um passo histórico rumo à inclusão. Quatro países participarão pela primeira vez: Cabo Verde, Uzbequistão, Jordânia e Curaçao — esta última, com apenas 150 mil habitantes, a menor nação já classificada para um Mundial. O Haiti retorna após um longo hiato, enquanto potências tradicionais, como a Itália, ainda lutam para não repetir a ausência das últimas duas edições.
Mas o aumento de participantes também acentua problemas já apontados por especialistas, principalmente o clima. O torneio ocorrerá em 16 cidades nos Estados Unidos, Canadá e México, durante o auge do verão norte-americano, quando temperaturas frequentemente ultrapassam 30°C e índices de umidade tornam o ambiente ainda mais severo.
A edição deste ano da Copa do Mundo de Clubes, também disputada nos EUA, serviu como alerta: calor intenso, desgaste físico e risco de desidratação dominaram as conversas entre equipes e sindicatos de jogadores. O novo formato prevê até oito partidas para quem chegar à final — uma carga que exige maior atenção ao tempo de recuperação.
Para reduzir o impacto térmico, a Fifa destaca o uso de estádios fechados ou com teto retrátil em cidades como Dallas, Houston, Atlanta e Vancouver. Ainda assim, boa parte do torneio ocorrerá em arenas descobertas, onde a única solução possível será ajustar o horário dos jogos. A decisão, no entanto, esbarra no interesse das emissoras, que buscam transmissões em horário nobre para públicos europeu e asiático. Isso pode empurrar partidas para o período mais quente do dia.
A definição dos locais e horários só será divulgada no sábado, após o sorteio. No evento, as seleções serão distribuídas em potes conforme o ranking da Fifa e restrições continentais. Anfitriões — EUA, México e Canadá — estarão separados, ao lado de favoritos como Argentina, França, Espanha e Inglaterra, que só poderão se enfrentar após a fase de grupos.
Além das preocupações esportivas, o sorteio ocorre em meio a incertezas políticas nos Estados Unidos após o retorno de Donald Trump à presidência. Delegações estrangeiras observam com atenção como isso influenciará segurança, imigração e emissão de vistos. O Irã já anunciou boicote ao evento, alegando dificuldade na concessão de vistos para sua comitiva.
A Fifa garante que o planejamento conjunto entre EUA, Canadá e México não foi afetado. Porém, a dimensão do Mundial exige operação transfronteiriça eficiente — algo que pode ser impactado por mudanças administrativas e diplomáticas.
Para muitas seleções, especialmente as estreantes, o sorteio desta sexta será menos sobre enfrentar gigantes e mais sobre evitar deslocamentos longos e temperaturas extremas. Em um torneio expandido e organizado em três países, a logística pode ser tão determinante quanto a tática.
Com calendário, viagens e clima podendo influenciar diretamente o desempenho, a preparação física ganha peso inédito na disputa. A final está marcada para julho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, coroando o que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, descreve como “a Copa mais inclusiva da história” — inclusiva, sim, mas também mais complexa e desafiadora.