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O velório do cantor e compositor Pedrinho Ribeiro reúne desde a noite deste sábado (29) familiares, amigos e admiradores na Funerária Almir Neves, na Avenida Joaquim Nabuco, em Manaus. O sepultamento está marcado para este domingo (30), às 15h, no Cemitério São João Batista, onde o artista será despedido sob forte comoção.
Nascido em 31 de dezembro de 1952, Pedrinho morreu na sexta-feira (29/11), deixando um vazio sentido imediatamente pela comunidade artística e cultural da Amazônia. Parintinense, cosmopolita por vivência e profundamente amazônida em sua expressão musical, ele transitou entre cidades, países e realidades com uma naturalidade que só quem carrega raízes fortes consegue sustentar.
A trajetória de Pedrinho incluiu anos vividos em Paris, período em que se sustentou cantando e apresentando ao público europeu a sonoridade da região Norte. De volta ao Brasil, fez da ponte entre Amazonas e Pará o seu território afetivo e artístico. Foi figura frequente no Teatro Amazonas, onde se apresentou inúmeras vezes com repertórios que uniam técnica, emoção e encantamento.
Um dos pontos altos de sua carreira foi o espetáculo dedicado a Adolfo Lorido, personagem emblemático de Parintins. Lorido, conhecido no cotidiano da cidade por suas crises, seu violão e suas queixas de que Roberto Carlos teria “roubado” suas músicas, ganhou dignidade e profundidade nas mãos de Pedrinho. Ele pesquisou sua história, descobriu que Lorido vinha de família abastada, abandonado ainda jovem e sobrevivendo no interior parintinense, compondo canções simples, porém repletas da força do cotidiano caboclo.
Ao levar esse repertório ao palco do Teatro Amazonas, Pedrinho lotou a casa. Interpretações sensíveis fizeram o público cantar em coro as canções que Lorido havia espalhado pelas ruas de Parintins. A apresentação virou referência: foi mais que um show, foi um ato de memória cultural, um gesto de resgate e homenagem.
Fora dos palcos, Pedrinho era presença afetuosa. Mantinha laços fortes, amizades numerosas e convivência calorosa, o que explica a enxurrada de homenagens que tomou as redes sociais desde o anúncio de sua morte. Mensagens de músicos, produtores, amigos de infância, fãs e ex-colegas de palco revelam não apenas a admiração pelo artista, mas o carinho por um homem que fazia da convivência um ato de generosidade.
Enquanto Manaus se despede de Pedrinho Ribeiro, a música e a cultura amazônica reafirmam sua permanência. Suas interpretações, suas pesquisas, seu cuidado com a memória do interior e sua capacidade de transformar vidas em canções seguirão ecoando — nos palcos, nos discos, nas ruas e no coração de quem o ouviu.

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