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A música amazonense perdeu neste domingo um de seus intérpretes mais sensíveis e afetivos. Faleceu o cantor e compositor parintinense Pedrinho Ribeiro, artista que viveu parte da vida em Paris, circulou com naturalidade entre Amazonas e Pará e deixou marca profunda em quem o ouviu — e em quem conviveu com ele.
Pedrinho tinha o raro dom de juntar histórias, pessoas e melodias. Na capital francesa, sustentou-se cantando, tocando e levando ao público europeu um pedaço do Norte brasileiro. De volta ao país, construiu uma trajetória sólida e calorosa, sempre em movimento entre Manaus, Parintins, Belém e tantos cantos amazônidas que o reconheceram como um criador generoso.
Foi presença constante no Teatro Amazonas, onde apresentou espetáculos que misturavam intimismo, humor e memória. Mas nada marcou tanto quanto o show dedicado a Adolfo Lorido, figura folclórica e profundamente humana de Parintins. Lorido, um neurastênico que vagava pelas ruas acusando Roberto Carlos de lhe “roubar as músicas”, foi personagem que Pedrinho abraçou com delicadeza. Pesquisou sua história, descobriu que ele viera de família rica, abandonado ainda jovem, vivendo no interior parintinense e arranhando o violão como podia. Suas canções, simples no rigor técnico, tinham a força de retratar a vida cabocla de um jeito cru e verdadeiro.
Inspirado por isso, Pedrinho montou um espetáculo inteiro interpretando apenas as músicas de Lorido. Lotou o Teatro Amazonas. Fez o público cantar em coro. Transformou em arte aquilo que muitos viam apenas como excentricidade. Deu dignidade, beleza e lugar histórico à voz de um homem que havia sido ignorado pela própria cidade.
Além do palco, Pedrinho era presença. Amigo de muitos, frequentador assíduo das rodas, conversas e visitas calorosas. Tinha afeto fácil, sorriso pronto e a habilidade quase terapêutica de fazer com que qualquer encontro virasse memória boa. Por isso, desde as primeiras horas do anúncio de sua morte, as redes sociais se encheram de homenagens, relatos, fotos antigas, trechos de canções e declarações sentidas — um lamento coletivo que mostra o tamanho do espaço que ele ocupava.
A partida de Pedrinho Ribeiro deixa um silêncio que não é vazio: é memória. Suas canções, suas interpretações e seu gesto de olhar para o outro continuarão ecoando na música da região e na vida de quem teve o privilégio de cruzar seu caminho.
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