
O valor será utilizado principalmente para reestruturar financeiramente a empresa e amortizar dívidas acumuladas. (Foto: Reprodução)
A Âmbar Energia, empresa do grupo J&F dos irmãos Wesley e Joesley Batista, fará um aporte de R$ 9,85 bilhões na Amazonas Energia após receber autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para assumir o controle da concessionária. O valor será utilizado principalmente para reestruturar financeiramente a empresa e amortizar dívidas acumuladas, hoje estimadas em cerca de R$ 12 bilhões.
A movimentação marca a entrada da Âmbar no setor de distribuição de energia, ampliando sua presença no mercado logo após a aquisição do portfólio de usinas termelétricas da Eletrobras no Amazonas. A Amazonas Energia, que enfrenta graves problemas financeiros e operacionais, será a primeira distribuidora sob controle da Âmbar.
Como parte do acordo aprovado pela Aneel, a Âmbar terá um prazo de 15 anos para alcançar metas regulatórias relacionadas à redução de perdas não técnicas (os conhecidos “gatos”), inadimplência e custo operacional — pontos considerados os maiores gargalos da distribuidora. A flexibilização desses prazos foi vista como necessária para viabilizar a operação, diante das dificuldades históricas enfrentadas pela empresa.
Em agosto, a situação financeira crítica levou a Aneel a autorizar o repasse emergencial de R$ 139,5 milhões à Amazonas Energia para custeio de operações básicas. O valor foi pago por meio da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), abastecida por tarifas pagas por consumidores de energia em todo o país.
A transição de controle, no entanto, ainda precisa ser homologada pela Justiça, já que a própria Amazonas Energia judicializou o processo, questionando termos da negociação. A transferência, originalmente prevista para ser concluída em dezembro de 2024, foi adiada diversas vezes devido à falta de consenso entre as partes e ao passivo elevado da concessionária.
Desde a sua privatização, em 2018, durante o governo Michel Temer, a empresa vinha sendo controlada pelo grupo Oliveira Energia, que atuava em consórcio com o grupo Atem — este último deixou o negócio poucos anos depois. Desde então, a Amazonas Energia tem enfrentado dificuldades para manter a operação estável e atender às exigências regulatórias, sendo frequentemente alvo de críticas da população e de autoridades locais.
Com o aporte bilionário, a expectativa é de que a Âmbar consiga não apenas reverter o cenário de instabilidade, mas também trazer uma nova abordagem de gestão, com foco em eficiência, transparência e sustentabilidade. A entrada do grupo J&F no comando da distribuidora sinaliza uma aposta estratégica no setor elétrico da Região Norte, onde ainda há muitos desafios estruturais, mas também oportunidades de crescimento e modernização.