18/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mestre Jair deixa o Galpão no centenário

Publicado em 20 de junho, 2011

Carlos Alexandre, Parintins – O artista de ponta do Caprichoso Jair Mendes, 68, responsável por incluir as alegorias nas apresentações do Festival de Parintins e criar os movimentos dos dois bois vai deixar os galpões depois de 36 anos enfurnado no ambiente que ele chama de “loucura”, para se dedicar a família.

Mestre Jair, como é conhecido em Parintins, e respeitado por todos os artistas da atual geração, afirma que está decidido e escolheu o Caprichoso para pendurar os pinceis por ter sido o bumbá que soube valorizá-lo. “Antes, tinha a vontade de me aposentar no boi contrário, mas foi no Caprichoso que me senti valorizado e por isso que em agradecimento ao Carmona Oliveira e à presidente Márcia Baranda vou me despedir dos galpões no centenário do Caprichoso, em 2013”, disse ele.

Você vê aqui um dos trabalhos de Jair para este ano. Os artistas raramente se deixam fotografar com o que ainda não foi apresentado na arena. Esta, portanto, é uma foto rara

Foi no Caprichoso que o artista conseguiu trabalhar ao lado dos Filhos Teco Mendes, artista de Ponta, e Jairzinho Mendes, que deixou o boi azul ano passado.

Mestre Jair tem um galpão só para ele, localizado na rua Fausto Bulcão, bairro João Ribeiro. No local, ele monta a figura típica regional do seringueiro da Amazônia e prepara uma das exaltações folclóricas do Caprichoso, com a equipe composta de 16 pessoas. “Me sinto realizado naquilo que me propus a fazer. Na minha época muitos achavam minhas novidades estupidas e tudo aquilo que eu fazia nos bois cresceu e foi além da imaginação”, diz o mestre.

A vaidade passa longe da figura de Jair Mendes, que agradece às pessoas que o chamam de mestre ou “pai da arte e do folclore”. “Fico muito emocionado, todos têm respeito por mim”, diz.

 

AVC

Em 2009, mestre Jair passou por um dos problemas mais sérios na sua vida, antes mesmo de começar a trabalhar na alegoria que levou para o bumbódromo naquele ano. Ele sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Com a ajuda da diretoria do boi Caprichoso, ele foi transferido para Manaus onde chegou a ter seu estado de saúde considerado grave.

O acidente aconteceu em fevereiro e, dois meses depois, ele já estava no galpão do Caprichoso, sem nenhuma sequela. “Os diretores do boi não queriam me deixar trabalhar na minha alegoria, mas eu não queria ficar de fora”, conta.

E é exatamente esta situação que mestre Jair ainda não sabe administrar, depois que deixar a festa na qual é um dos atores principais, tanto na história, como na construção das apresentações. “Eu não sei como eu vou me sentir quando eu não puder vir para o galpão. Não conheço essa experiência e por enquanto não gostaria nem de pensar nisso”, desabafa.

 

Marquinho, o tripa-aluno

O tripa Marquinho Azevedo fez, neste fim de semana, o teste do módulo alegórico de onde surgirá o boi Caprichoso, na exaltação folclórica do mestre Jair Mendes. Marquinho exaltou o artista. “Eu sou discípulo do mestre Jair e ele me ensinou os movimentos que hoje faço com o Caprichoso. E tenho muito orgulho disso”, afirma.

Marquinho, há anos tripa do Caprichoso, aprendeu a fazer os movimentos do boi quando integrava a equipe de Jair Mendes. Como ele, também foram discípulos do mestre Juarez Lima e Vandir Santos, assim como diversos outros artistas dos dois bumbás

 

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