
Encontro reúne presidentes da América Latina e Europa em meio à tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Santiago, capital do Chile, onde participará, na segunda-feira (21), de uma cúpula internacional em defesa da democracia. O encontro, organizado pelo presidente chileno Gabriel Boric, contará ainda com a presença dos presidentes da Colômbia (Gustavo Petro), Espanha (Pedro Sánchez) e Uruguai (Yamandú Orsi).
A reunião acontece em um momento de crescente tensão entre Brasil e Estados Unidos. Na última semana, o governo norte-americano anunciou uma taxação de 50% sobre produtos brasileiros e revogou os vistos de oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em resposta, Lula tem reiterado publicamente a defesa da soberania nacional.
A agenda em Santiago será composta por uma reunião reservada entre os chefes de Estado, seguida de um almoço e de um encontro com representantes da sociedade civil, do meio acadêmico e de centros de pesquisa. O diálogo será estruturado em torno de três temas centrais:
Defesa da democracia e do multilateralismo;
Combate às desigualdades e uso responsável de tecnologias digitais;
Enfrentamento à desinformação.
Segundo o Itamaraty, o encontro dá continuidade à primeira reunião de alto nível “Em defesa da Democracia: lutando contra o extremismo”, realizada em setembro de 2024, durante a 79ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e convocada por Lula e Sánchez. A expectativa é de que a iniciativa tenha nova edição em setembro deste ano, durante a 80ª Semana de Alto Nível da ONU.
Os presidentes têm buscado articular uma frente comum contra ameaças às instituições democráticas, em especial o avanço da desinformação e campanhas de interferência estrangeira. Em fevereiro, Lula, Boric, Petro, Orsi e Sánchez participaram de uma reunião virtual para discutir os riscos que esses fenômenos representam às democracias.
Na ocasião, o premiê espanhol afirmou que os cinco países trabalhariam juntos para garantir que as redes sociais estivessem “livres de bots e de ódio”, reforçando a necessidade de regulação e transparência no ambiente digital.