04/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Evolução ou Revolução?

Publicado em 22 de março, 2016

O Estado, enquanto retrato de seu povo, passa constantemente por mudanças, que podem ser de ordem social, política, religiosa e econômica, num vai-e-vem suportável. Tais mudanças ocasionam a “evolução” do sistema vigente. Em alguns casos, contudo, a evolução mostra-se ineficaz, seja porque a necessidade de mudança é mais urgente do que a capacidade do sistema evoluir, seja porque o próprio sistema pode estar boicotando a mudança. Nestes casos, quando a mudança ocorre contrariando o sistema vigente há uma “revolução”.

A revolução não precisa ser necessariamente violenta, desde que os detentores do comando do ordenamento a ser quebrado se conscientizem de que a mudança pretendida visa melhorar a vida em sociedade. Neste ponto a revolução diferencia-se de golpe de Estado, pois enquanto aquela vem de baixo e visa quebrar o sistema vigente para melhorá-lo e adaptá-lo à realidade do povo, o golpe de Estado é egoístico e visa tão-somente à troca do detentor do poder, quase sempre de cima para baixo, como ocorreu no Brasil em 64.

O País experimentou revolução recente, pois em 1988 inaugurou uma nova ordem, vigente até hoje, que acabou com a ditadura militar e restabeleceu a democracia. Embora a Constituição Cidadã seja considerada a que mais privilegiou o bem-estar social, já passou por inúmeras evoluções, o que demonstra que qualquer sistema não pode nem deve ser estático.

Urge no País a mudança do sistema político vigente, posto que praticamente implodido pela crise de representatividade, causada pela ganância, pela sede de poder e pelo fisiologismo partidário, sob o pretexto de governabilidade. A falência do sistema político é evidente. A dificuldade é saber como se dará a mudança: se por evolução ou por revolução.

Analisando os partidos políticos existentes e a maneira como se comportam, sempre visando o poder e não o bem-estar do povo, dispostos a gastar juntos centenas de milhões de reais a cada dois anos em eleições, percebe-se que a mudança não poderá vir por meio de evolução, na medida em que isso significaria a restrição de poderes de quem hoje se agarra fortemente ao osso para continuar mamando nas tetas às custas do povo.

A revolução parece ser o remédio, o qual prescinde de legalidade. Qualquer tentativa de revolução utilizando-se da lei será combatida com a lei. O Povo tem que assumir as rédeas da mudança do sistema político, não o Judiciário, que deve sempre obedecer ao ordenamento vigente, nem o Legislativo, um dos focos da crise. Não podemos esperar que o Moro ou o Cunha sejam os heróis da revolução. O primeiro passo já foi dado com as manifestações de rua. Já os próximos passos serão decisivos e tendem a destituir cargos eletivos para que uma eleição geral seja convocada. Remédio amargo, sem dúvida, mas bem melhor do que o caos que aí está.

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Jayme Pereira Jr.

* Jayme Pereira Jr. é advogado.

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.