07/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Pesquisadores pretendem controlar altura de voo de drones na Amazônia

Publicado em 12 de janeiro, 2016

Utilizando conceitos da Física com conhecimentos da Biologia baseados na visão de insetos, o pesquisador Igor Sales Campos está desenvolvendo com apoio do governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), um estudo para controlar a altura de voo dos Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants), conhecidos como drones, fundamental para dar autonomia de voo em terrenos acidentados e irregulares como a floresta amazônica.

“A estimativa e o controle de altura de Vants são fundamentais para a realização de voos autônomos em terrenos acidentados, como regiões montanhosas, e também permitem que essas aeronaves operem de maneira complacente com as atuais normas das agências reguladoras de Aviação Civil “, disse Campos.

O estudo está sendo desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados do Estado do Amazonas (RH-Mestrado) da Fapeam que tem por objetivo conceder bolsas de pós-graduação em outros Estados brasileiros a profissionais interessados em realizar curso de pós-graduaçãostricto sensu em Programas de Pós-Graduação recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Segundo o pesquisador, no estudo serão usadas imagens de uma câmera, em conjunto com a informação fornecida pelos outros sensores, para estimar a altura em que o Vant está voando e, consequentemente, controlá-la.

Enquanto a altitude (altura em relação ao nível do mar) é fornecida pelo GPS ou ainda pelo barômetro (instrumento que indica a pressão atmosférica, altitude e prováveis mudanças do tempo), estimar a altura em relação ao solo é algo mais complexo.

“Todos esses veículos necessitam de sensores, como, por exemplo, radar de altura, mas por eles serem pequenos, a capacidade de carga é limitada. Porém, sensores de baixo custo como GPS, câmeras e bússolas já estão presentes nos drones e o que faltava era saber como utilizá-los em prol desse impasse. Daí surgiu a ideia do projeto”, explicou Campos.

Atualmente, isso é feito através de sensoriamento ativo, ou seja, o veículo envia um sinal em direção ao solo e mede o seu retorno e, então, a distância é calculada. “Nossa proposta é utilizar sensoriamento passivo. Isto é, apenas captarmos imagens do terreno e, em conjunto com os outros sensores, estimarmos a altura de voo”, disse o pesquisador.

Para a realização do estudo, os pesquisadores desenvolveram um protótipo de baixo custo com menor risco em caso de perda dos veículos aéreos. A pesquisa também conta com Vants pertencentes ao laboratório de visão computacional e robótica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o VerLab, parceiro do projeto de pesquisa.  Segundo Igor Campos, após o estudo, Vants poderão ser utilizados com precisão na floresta amazônica para o monitoramento e combate ao desmatamento e queimadas ilegais.

Aliando a Física à Biologia

Para aferir a altura do voo dos drones, os pesquisadores se inspiraram na Biologia, partindo do ponto de que alguns insetos, como as abelhas, utilizam a visão para estimar diversos aspectos do seu voo.

Segundo o pesquisador, o conceito é simples: se estamos em um carro em certa velocidade na estrada e olharmos pela janela, veremos que os postes passam rapidamente enquanto as montanhas, à distância, são, aparentemente, imóveis, apesar de nossa velocidade relativa a esses objetos ser a mesma. Ou seja, objetos mais próximos aparentam ter maior movimento que os mais distantes.

Isso ajuda a determinar que os postes estão mais próximos do que as montanhas, mas não ajuda a determinar a distância exata que estamos deles. Segundo o pesquisador, este é o desafio a ser vencido com relação aos drones.

Para determinar a distância aos objetos, leva-se em consideração a velocidade que o veículo se encontra. Em uma velocidade maior, os postes podem percorrer toda a janela em poucos segundos e, quanto mais devagar, levam mais tempos. O que os pesquisadores farão é utilizar a câmera para medir esse tempo e as informações dos outros sensores para medir a velocidade, assim, poderão determinar a que distância os drones estão do solo.

“Atualmente, as agências reguladoras de aviação civil limitam o voo desses veículos a uma altura de 120 metros acima do solo, o que é complexo de ser aferido sem um sensor adequado”, disse.

 

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