
Amom promete frescar e, depois de manifestar desilusão política, está de volta com ímpeto renovado. Fotos: Assessoria Amom/ Divulgação
O deputado federal Amom Mandel, 24 anos, está na segunda metade do primeiro mandato de deputado federal e, sem apoio de caciques, obteve o terceiro lugar na eleição para prefeito de Manaus. Agora, num desabafo, ele afirma sobre o pleito: “Conheci de perto a maldade do mundo”. Que maldade? O tráfico agindo na eleição, como conta na entrevista a seguir.
Houve sinais do descontentamento. O parlamentar, que se comunica muito pelas redes sociais, publicou que “política é uma merda”. O tom era de renúncia. Dias depois, em nova postagem, Amom promete “frescar a paciência de quem rouba o dinheiro do povo”.
Amom saiu da desilusão e quase renúncia para uma ação arrojada. Ele está percorrendo os Municípios do interior e colou nos novos prefeitos que encontraram prefeituras sucateadas. “Quero um amom tão presente no interior quanto na capital”, afirma.
Devido à idade limite de 30 anos para candidatos a governador e 35 anos para Senado, o jovem parlamentar concorrerá novamente à Câmara Federal, onde é recordista estadual de votos. Mas pode ser que não tenha candidato a senador, governador ou até presidente da República. Seria uma candidatura “camarão”, isto é, sem cabeça, na nomenclatura política. Ele conversou com o Portal do Marcos Santos. Veja, a seguir, a íntegra da entrevista:
Amom Mandel – Pode ser uma vantagem em alguns contextos. Fui alvo de fake News durante a campanha para prefeito, porque diziam que eu ia abandonar o mandato de prefeito para ser governador. Não era verdade porque, como você está vendo, nem posso ser candidato. Quem vai abandonar o mandato é o David Almeida.
Amom – Converso com todos os que estejam abertos para conversar comigo. Conversar não significa abrir mão dos meus ideais. Eles se decepcionam quando veem que, ao final da conversa, eu não me dobro, não mudo minha forma de pensar.
Amom – O Wilson Lima vai fazer uma aliança com o David Almeida e seu grupo. Porque se ele sair para ser candidato ao Senado, e deve sair!, estaria contra as duas máquinas – o David teria a Prefeitura e o Governo do Estado. Dificilmente ele se aliançaria com Omar, apesar de os dois estarem conversando e muito. Por isso, acho que a eleição do Wilson vai ser muito difícil e essa dificuldade abre margem para que o David seja candidato a governador, se o Tadeu (de Souza, vice-governador) não se viabilizar.
“O Wilson Lima vai fazer uma aliança com o David Almeida e seu grupo.”
Amom – Um Amom com tanta presença no interior, quanto na capital.
Amom – É possível.
pms.am – Vamos dizer que sim. Minha meta é visitar um Município, a cada fim de semana. Sem uso de cotão. Este ano, finalmente, vou cumprir uma promessa de ter um gabinete móvel. Vou adquirir uma Van, que é um bem de alto valor, sem uso da cota, para ter, no primeiro semestre, o gabinete móvel para Manaus e Municípios próximos. Vamos ter, até o fim do ano, uma lancha para uso de assistentes sociais, do meu gabinete, no interior do Amazonas.
“Minha meta é visitar um Município, a cada fim de semana. Sem uso de cotão.”
Amom – A verdade é que passei parte da minha infância em Japurá, que é no interior do Amazonas. Não é novidade para mim. É uma grande experiência me reaproximar dos ribeirinhos, das comunidades tradicionais, que são extremamente acolhedores. O prefeito de Japurá, Professor Vanilso (União Brasil), lembrou, nesse jantar com os prefeitos, de quando eu ia para lá, entre seis e oito anos (clique aqui para ouvir o áudio).
Amom – Estou trabalhando nacionalmente por uma mudança na Lei dos Portos e acho que este ano as pessoas terão uma novidade nessa área. Não posso falar, para não prejudicar. O objetivo é facilitar a instalação portuária do Amazonas.
“Estou trabalhando nacionalmente por uma mudança na Lei dos Portos.”
Amom – Em outras palavras, durante as eleições conheci de perto a maldade do mundo. Isso me deixou ainda mais descrente em relação à política partidária e me desestimulou bastante, depois das eleições. Comecei minha vida de militante aos 13, 14 anos, como voluntário na ONU e, no meu mandato de deputado federal, tive desilusão com a ONU. As eleições municipais trouxeram a desilusão com a política em geral. Cheguei a pensar em não continuar nesse meio. É preciso muito estômago para suportar e nem tudo que vejo tenho forças para denunciar ou provar. Mas cheguei à conclusão de que dá para amenizar a palhaçada que é a política ou o mundo não tem jeito.
“Durante as eleições conheci de perto a maldade do mundo.”
Amom – Vi o crime organizado em conluio com determinados candidatos, inclusive expulsando equipes nossas, o que saiu no jornal O Globo, porque um repórter me acompanhou e viu. Houve compra de votos e tentativa de me atropelar com uma moto, no momento em que o tráfego soltava fogos de artifícios para me assustar. E vi uma criança como aviãozinho de traficantes. São só alguns dos exemplos.
“Vi o crime organizado em conluio com determinados candidatos.”
Amom – Faço uma distribuição proporcional à minha votação e pela média ponderada, em relação aos indicadores sociais, como IDH, que mostram a necessidade de cada Município e de cada área. Apesar de o prefeito me acusar de não destinar verbas para Manaus, 90% das minhas emendas são para a capital. Só não foram para ele. A maior parte está na UEA e Ufam, em projetos que facilitam as vidas dos alunos da capital e interior, comprando material, ajudando na estrutura para estudarem.
“Apesar de o prefeito me acusar de não destinar verbas para Manaus, 90% das minhas emendas são para a capital.”
Amom – A política pública federal tem substituído a atuação do Inpa pelo CBA, nos últimos dois anos, embora isso não seja 100% adequado. É bizarro sucatear um para iniciar outro. Mas muitas pesquisas têm sido direcionadas para o CBA.
Amom – Trabalharia a questão dos resíduos sólidos. A Prefeitura, no início do ano, utilizou caminhonetes S10 para recolher lixo. Há completo colapso no sistema de coleta. A empresa responsável pela contratação de garis sofre o risco de calote com os trabalhadores, segundo diz a imprensa, e outras empresas demonstram o mesmo tipo de fragilidade, provavelmente por não estarem recebendo de maneira adequada. É inadmissível que uma capital, como Manaus, use na coleta picape de luxo, ao invés de veículos adequados. Certamente isso seria diferente na nossa gestão. Ocorreram os desabamentos e todos poderiam ter sido evitados. Como deputado federal, alertei de todos eles e fui ignorado. Falei que tinha mandado os ofícios e o secretário da Defesa Civil deu, através da imprensa, um número para a gente ligar. Ligamos e não funciona. Certamente isso seria diferente na minha gestão. David Almeida e seus secretários têm sangue nas mãos por esses desabamentos. Tem o aumento da passagem do transporte coletivo. Quando fui vereador fiz um dossiê, com mais de 700 páginas, relatando as irregularidades do transporte coletivo e apontando como poderíamos reduzir os custos ou transformá-los em investimento. Não só não teríamos esse aumento como dava para dar um dia de passagem gratuita por semana. Acho que o prefeito devia olhar mais nosso plano, que tem 600 páginas. Acabei de doar essas 1,3 mil páginas (as 700 do dossiê do transporte e as 600 do plano de governo) para o prefeito estudar.
“É inadmissível que uma capital, como Manaus, use na coleta picape de luxo, ao invés de veículos adequados.”
Amom – Há muito tempo achei que os Municípios decretavam emergência no início do mandato por motivos escusos. Agora vi que é uma necessidade, em razão da desorganização e sucateamento deixado pelas gestões anteriores. É o caso do cemitério de ambulâncias e desmanche de carros que presenciamos em Borba, conforme denunciado pelo prefeito atual.
Amom – Infelizmente, ainda não. Mas eu acredito que a Justiça pode tardar, mas não falhará.
Amom – Tem um projeto de minha relatoria na pauta do plenário e que deve entrar em votação após o Carnaval. Cria uma Carteira Nacional da Pessoa com Deficiência, incluindo autistas, que deve ter validade estadual e municipal, o que não acontece hoje. Abre a possibilidade de a pessoa com autismo ou outra qualquer condição incluir isso na Carteira de Identidade. Devo ser o relator de muitos outros projetos na área do autismo este ano. Esse é meu acordo com o presidente da Câmara dos Deputados.
“Devo ser o relator de muitos outros projetos na área do autismo este ano. Esse é meu acordo com o presidente da Câmara dos Deputados.”
Amom – Sim.
Amom – A bancada funciona melhor para questões relacionadas à Zona Franca de Manaus. Nas políticas públicas, cada deputado ou senador usa seu espaço político para defender as plataformas de campanha. Não somos uma massa homogênea, mas, em algumas pautas, a gente deixa as diferenças para atuar em conjunto. Depois, cada um atua no mandato de forma independente.
Veja mais notícias em Política