
Nos bastidores: equipe operacional enfrenta distâncias para garantir Eleições no AM
Fazer eleições em um estado das dimensões do Amazonas exige planejamento integrado, capacidade de adaptação, conhecimento técnico e disposição para percorrer grandes distâncias. Em uma região onde rios funcionam como estradas e o deslocamento entre municípios pode levar horas ou até dias, garantir que a estrutura eleitoral esteja preparada para o dia da votação é um desafio de grandes proporções.
É nesse cenário que entra em ação o Grupo de Apoio Técnico Operacional (GATO), criado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) para atuar nas Eleições Gerais de 2026 e responsável pela cobertura de mais de 80% dos municípios do Amazonas.
A ação do GATO atende diretamente 51 municípios distintos do interior do Amazonas, em 53 localidades, incluindo a Comunidade Capivara, no município de Maraã; a região do Sul de Canutama, no município homônimo e o distrito de Santo Antônio do Matupi, no município de Manicoré.
Regulamentado pela Portaria nº 862, de 28 de agosto de 2026, que alterou e integrou a Portaria nº 820/2026, o grupo é formado por servidores de diferentes áreas e lotações estratégicas do Tribunal. A equipe está organizada em frentes especializadas de apoio técnico e operacional, além de atividades relacionadas à preparação e à carga das urnas eletrônicas.
Na prática, o GATO funciona como uma força de apoio que se desloca para diferentes regiões do estado, levando apoio técnico e suporte às zonas eleitorais, além de ajudar a resolver, de forma rápida, eventuais intercorrências que possam surgir durante a preparação e a realização do pleito.
O trabalho do GATO começa antes: os servidores passam por capacitações que reproduzem procedimentos e possíveis ocorrências da rotina eleitoral.
A preparação inclui desde a montagem das seções e o funcionamento dos equipamentos até procedimentos relacionados às urnas eletrônicas, impressão de relatórios e recuperação de dados.
Durante o treinamento, Wanderley Oliveira, chefe da seção do voto informatizado, trouxe como exemplo de ocorrência que costuma causar dúvida para quem não conhece o funcionamento da urna eletrônica. Como a votação começa oficialmente às 8h, se, por algum motivo, for ligada depois do horário previsto para a impressão das zerésimas (comprovante de que não há registro de voto), o equipamento apresenta uma mensagem informando que esse horário já passou.
“Não há necessidade de substituir a urna. O procedimento adequado é confirmar a mensagem apresentada pelo sistema. O atraso fica registrado no log da urna e pode ser posteriormente formalizado na ata da seção”, explica.
Para contornar os isolamentos geográficos e a dependência do transporte fluvial, o TRE-AM prepara um escalonamento das viagens: enquanto municípios com acesso mais célere recebem ações rápidas de 3 a 5 dias para carga de urnas como Itapiranga ou Presidente Figueiredo, localidades de difícil acesso exigem que os técnicos permaneçam em campo por períodos prolongados, estendendo-se por mais de duas semanas. É o caso de municípios como São Gabriel da Cachoeira, Canutama e Santa Isabel do Rio Negro.
Esse planejamento temporal dinâmico, que inicia suas operações de campo com bastante antecedência ao pleito, é a única garantia de que o suporte técnico especializado estará fisicamente presente nos pontos mais remotos da floresta quando a votação começar.
Para isso, o período de deslocamento inicia em meados de setembro e segue até uma semana após o encerramento do primeiro turno.
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