O manauara foi surpreendido na manhã desta quinta-feira (01), com a grande nuvem de fumaça que atingiu, principalmente as regiões centro-sul e centro-oeste da capital. Muitas pessoas reclamaram do forte odor de mato queimando e outras relataram dificuldades para respirar. Em algumas escolas as aulas foram suspensas e até voos do aeroporto internacional Eduardo Gomes foram cancelados. Mas, quais as causas do problema? O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Antônio Ocimar Manzi, Doutor em Física da Atmosfera e coordenador brasileiro do projeto teuto-brasileiro Observatório da Torre Alta na Amazônia (ATTO) e dos projetos em cooperação Brasil-Estados Unidos GOAmanzon, afirma que a combinação fumaça/ventos noturnos explicam o fenômeno.
“Essa é uma situação que já aconteceu antes. Têm tido queimadas no entorno de Manaus, facilitadas pelo tempo seco e quente dessa época do ano. Como à noite a superfície emite mais radiação do que recebe da atmosfera, a atmosfera se resfria de baixo para cima. Isto é, o ar mais frio e denso fica embaixo e o ar mais quente e menos denso fica por cima. Esse processo cria uma camada de inversão térmica noturna que dificulta o transporte de ar, fumaça e poluição da superfície para a atmosfera mais alta. Nessas condições, a fumaça produzida nas queimadas fica presa na parte de baixo da atmosfera e o vento a transporta horizontalmente, neste caso trazendo para a cidade, que amanhece com a névoa de fumaça das queimadas”, explica o pesquisador.
Ainda de acordo com Antônio Manzi, pela manhã, quando os raios de sol vão chegando, eles esquentam a superfície, que aquece o ar em contato com ela. Esse ar mais quente em contato com a superfície, torna-se menos denso que o ar acima dele. Por ser mais leve, ele sobe e vai levando a fumaça de baixo para cima. O ar, que ocupa o lugar do ar que subiu, também se aquece em contato com a superfície, se expande e sobe também. Esse processo vai criando uma camada de mistura de ar, que vai crescendo ao longo da manhã e vai diluindo a fumaça que estava concentrada perto da superfície em um volume de ar muito maior. Por isso, segundo o pesquisador, por volta das 11 horas da manhã a fumaça já não é mais visível.
Replay
Antônio Manzi ressalta que, se as queimadas continuarem e os ventos noturnos forem favoráveis, outros episódios como os desta quinta-feira, podem se repetir. Em 2010, um ano de seca intensa em grande parte da Amazônia, ocorreram em Manaus vários episódios do tipo. Inclusive uma nuvem de fumaça cobria a capital durante visita do então presidente Lula e o falecido ex-presidente Chaves da Venezuela.
Com informações do INPA