15/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Um país desgovernado

Publicado em 17 de setembro, 2015

A tática de morder e assoprar do governo federal combina muito com os constantes balões de ensaio colocados em prática, testando a opinião pública acerca de medidas amargas que querem jogar nas nossas costas, sem o menor esforço de fazer o dever de casa.

Uma nova rodada de aumento de impostos está por vir, dado o recente anúncio da desconcertada equipe econômica, num momento de crise econômica, política e ética, sem que o governo corte o número excessivo de cargos comissionados e de ministérios, entulhados por apadrinhados políticos, numa verdadeira agressão à meritocracia.

Ao invés de ferir de morte servidores públicos e solapar direitos adquiridos como o abono de permanência, fundamental seria que se procedesse uma revisão criteriosa e rigorosa na concessão de benefícios sociais (bolsas e seguros), e que se reduzissem os gastos administrativos como forma de dar o exemplo, além dos empréstimos/financiamentos de construções em países bolivarianos.

Antes de acabar com a esperança dos brasileiros, seria muito bom que se reduzissem os gastos realizados por cartões corporativos e pela comitiva presidencial nas andanças mundo afora (Londres: R$ 900 mil; Nova York/ONU: R$ 917 mil; 35 viagens presidenciais em 2011 e 2012: R$ 11,6 milhões, só pra citar três exemplos). E deixei de fora o calote dos alugueis de carros não pagos divulgados recentemente.

Urgente se torna um estudo acerca de possíveis privatizações de estatais que servem de cabide de emprego para políticos e pessoas ligadas ao poder central, onde algumas se debatem com problemas de corrupção, servindo a pessoas e grupos, não à nação.

Quando Joaquim Levy pede para que a sociedade entenda a necessidade desse esforço adicional, esquece que ninguém suporta mais impostos, muito menos a volta do famigerado imposto dos cheques (CPMF). Ninguém suporta mais o cinismo de tantos gastos inúteis, tantos escândalos no país onde os governantes alegam que nada sabiam.

O interessante desse pacote é que os banqueiros elogiaram as medidas anunciadas. E nem poderia ser diferente, pois o ministro da fazenda foi diretor do Bradesco, além dos lucros absurdos que aqui faturam.

O governo conseguiu desagradar cidadãos e empresários. É unanimidade. Até um traiçoeiro “compartilhamento temporário” ameaça os recursos arrecadados do sistema S, que são privados.

Diante dessas inconsequências,  compartilho parte do discurso de Margaret Tatcher proferido em 1983, mas tão atual que serve de referência para qualquer governante.

“Um dos grandes debates do nosso tempo é sobre quanto do seu dinheiro deve ser gasto pelo Estado e com quanto você deve ficar para gastar com a sua família.
Não nos esqueçamos nunca desta verdade fundamental: o Estado não tem outra fonte de recursos além do dinheiro que as pessoas ganham por si próprias.
Se o Estado deseja gastar mais, ele só pode fazê-lo tomando emprestado sua poupança ou te cobrando mais tributos. E é melhor não pensar que outra pessoa vai pagar. Essa outra pessoa é você.
Não existe esta coisa de dinheiro público, existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos”.

Para Tatcher, “a prosperidade não virá por inventarmos mais e mais programas generosos de gastos públicos. Você não enriquece por pedir outro talão de cheques ao banco. E nenhuma nação jamais se tornou próspera por tributar seus cidadãos além de sua capacidade de pagar. Nós temos o dever de garantir que cada centavo que arrecadamos com a tributação seja gasto bem e sabiamente.  Proteger a carteira dos cidadãos, proteger os serviços públicos. Essas são nossas duas maiores tarefas e ambas devem ser conciliadas”.

*Auditor fiscal da Sefaz. 

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Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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