07/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

85% das mulheres negras que sofrem violência doméstica convivem com seus agressores

Publicado em 20 de novembro, 2024

85% das mulheres negras que sofrem violência doméstica convivem com seus agressores

Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, um estudo inédito trouxe à tona a dura realidade enfrentada por mulheres negras vítimas de violência doméstica no Brasil.

Segundo os dados, 85% das mulheres negras que sofreram violência doméstica e não têm renda suficiente para viver de forma independente permanecem convivendo com seus agressores. Essa estatística alarmante reforça como a dependência econômica pode ser um fator de aprisionamento em relações abusivas.

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher Negra, conduzida por DataSenado e Nexus em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, apontou que uma em cada três mulheres negras em situação de insuficiência financeira já sofreu algum tipo de agressão.

Para 24% delas, o episódio ocorreu nos últimos 12 meses. Além disso, 27% das vítimas afirmaram não possuir nenhuma fonte de renda, enquanto 39% têm renda insuficiente para sustentar a si mesmas e seus dependentes, totalizando 66% de mulheres sem autonomia financeira.

Escolaridade

Outro dado que chamou atenção foi a relação entre escolaridade e a busca por apoio legal. Mulheres negras com ensino superior completo registram menos denúncias e pedidos de medidas protetivas do que aquelas com menor grau de escolaridade. Enquanto 49% das vítimas analfabetas e 44% das que têm ensino fundamental incompleto procuraram delegacias, apenas 34% das mulheres negras com ensino superior fizeram o mesmo.

Essa discrepância sugere que, embora a maior escolaridade ofereça ferramentas para reconhecer situações de violência, também pode estar associada a outras barreiras, como vergonha, preconceito ou descrédito na eficácia do sistema de proteção.

Ainda de acordo com o estudo, que considerou como negras as mulheres autodeclaradas pretas ou pardas, os dados mostram um chamado à ação no combate à violência de gênero e às desigualdades estruturais que afetam mulheres negras. Mais do que nunca, é preciso avançar em políticas públicas que promovam autonomia financeira e o acesso a recursos legais e sociais.

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