Tenho amigos palestinos e israelenses e o tema é extremamente difícil de ser abordado, mas ouso fazê-lo por questão de cidadania e por ideais de liberdade, fraternidade e convivência pacífica entre os povos. Não tenho aqui o menor interesse de ferir sensibilidades, mas de demonstrar indignação pelo número de pessoas mortas (para não dizer assassinadas) nos dois lados do conflito, e de forma muito mais pesada na Faixa de Gaza.
Como não faço parte da diplomacia brasileira, fico livre para opinar e não ser rebatido pelo porta-voz israelense (o mesmo que fez piada até com os 7 a 1 sofridos pela nossa Seleção diante da Alemanha), que bradou contra o governo brasileiro por ocasião da convocação do embaixador em Tel Aviv para consultas. Aliás, o Brasil é um país soberano e tem sim o direito de achar inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina e condenar energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza.
Por outro lado, nenhuma pessoa em sã consciência concorda com a atuação de grupos terroristas, portanto, é extremamente condenável a atuação do Hamas, que é o maior dos vários grupos islâmicos militantes palestinos, e que surgiu após o início da primeira Intifada (revolta palestina) contra a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, em 1987.
Bem diferente do grupo palestino rival Fatah, que controla a Cisjordânia e concorda com uma solução para o conflito que envolva a criação de dois Estados (Israel e Palestina), o Hamas defende a criação de um único Estado palestino que ocuparia a área onde hoje estão Israel, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.
O que se lamenta no mundo inteiro é a quantidade de mortes nesta guerra. É chocante vermos pessoas mortas, feridas, escombros para todos os lados, uma verdadeira destruição. E os números vão aumentando diante de uma ONU que parece cambaleante e enfraquecida. Até suas escolas e abrigos de refugiados já foram atacados e destruídos.
A Unicef informa que os bombardeios em Gaza já causaram a morte de 408 crianças e deixaram outras 2,5 mil feridas, calculando em 370 mil o número de menores que necessitam urgentemente de ajuda psicológica. Cerca de 70% das crianças mortas tinham menos de 12 anos.
Segundo a chefe da Unicef em Gaza “não há eletricidade e os sistemas de água potável e saneamento não funcionam, por isso o perigo de mortes por doenças transmissíveis e de diarreia é iminente. E como o tamanho da Faixa de Gaza é de 45 quilômetros de comprimento por entre seis e 14 de largura, não há uma só família que não tenha sido diretamente afetada por alguma perda. A destruição é total, e usaram armamentos horríveis que provocam terríveis amputações. E isto se passou na frente dos olhos das crianças, que viram morrer seus amigos e seus pais”.
Sabemos que as raízes do confronto são antigas. Ao longo dos anos, ambos os lados foram ampliando as demandas para uma paz definitiva. Resultado: o problema é de difícil solução, pois ninguém quer arredar ou ceder território em troca de paz. O que se espera é a intervenção mediadora de países que tenham credibilidade internacional e que o cessar-fogo seja imediato. E que os responsáveis pelas mortes nessa guerra sejam levados a julgamento na Corte Penal Internacional, em Haia.
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* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.