Não é de hoje que ouvimos esses substantivos como definição de situações vexatórias em situações importantes e parece que, ao serem definidas assim, tudo fica esclarecido e entendido. Só que não é bem assim.
Ao utilizar esses conceitos que, via de regra, são usados em máquinas, equipamentos, processos, sistemas, visto que apagão é uma diminuição brusca da eficácia de um serviço ou atividade que, ocasionada por uma falha, provoca outras falhas, em determinado sistema de fornecimento, compartilhamento e/ou controle, qual a relação efetiva com um grupo de pessoas que tem um objetivo a executar e efetivamente não cumpre? Parece que tem, mas é melhor investigar.
Apagão e pane servem sob medida para explicar tudo aquilo que é desprovido de sentimentos, raciocínio e inteligência e, ao se apropriar deles para explicar erros humanos, deficiência técnica e incompetência tática, afora a falta de maturidade e uma dose exagerada de autoconfiança individualizada, é minimizar ao extremo os problemas latentes de um grupo e simplificar o que não é simples. É usar chiclete mascado para tapar buraco no tanque de gasolina.
Apenas conceituar, com jargões emprestados da área mecânica e elétrica, situações graves, oportunidades desperdiçadas e gols perdidos não resolve o problema, muito menos direciona para possíveis soluções, porque, nesse processo de embotamento, fica difícil saber se é a causa, o que deu motivo, o que ocasionou o ‘apagão’ ou ‘pane’, assim como fica difícil, também, saber se é a consequência, o que contribuiu para o fato, o que poderia ser diferente, o que não funcionou durante o processo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Explorar esses efeitos e identificar os defeitos, certamente, possibilita uma grande chance de evidenciar as falhas, consertá-las e até mesmo preveni-las. Não dá para somente desligar o interruptor ou o power.
Se ficássemos apenas nesses devaneios seria menos traumático. O pior é ser usado como justificativa simplória e sem sustentação argumentativa ou comprovativa, porque toda vez que esses termos forem usados, nesse sentido, envolvendo pessoas, equipes, coletivo, corremos sérios riscos de trocarmos o Al Capone pelo Transformers e uma seleção, em vez de jogadores, terá apenas avatares.
Pessoas são pessoas. Problemas são problemas. Apagão é apagão e pane é pane.
Ozeneide Casanova Nogueira é advogada e assistente social, com MBA em Gestão de Pessoas (FGV-ISA...