A menor umidade relativa do ar dos últimos 102 anos, em Manaus, que ocorreu ontem, pode ser batida nos próximos dias. Não há previsão de chuvas, nem nuvens, e a nebulosidade é mínima, com predominância da massa de ar seco que se espalha pelo País. A informação é da diretora de meteorologia do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Lúcia Goulart.
O recurso ao ar-condicionado, entranhado na cultura manauara, tem que ser utilizado com reservas. “Em ambientes refrigerados, a umidade é de 30% e se recomenda usar uma vasilha com água ou toalha molhada para preservar a saúde de idosos, crianças e pessoas com problemas respiratórios”, disse.
O Sul do Amazonas, na região próxima ao Município de Apuí, já vem registrando temperaturas muito baixas. “Umidade relativa do ar em 29% significa só isso de água na atmosfera e os outros 71% de partículas sólidas, isto é, fuligem dos carros e outros poluentes”, disse.
A meteorologista lembra que a Organização Meteorológica Mundial e a Organização Mundial de Saúde recomendam umidade do ar acima de 60%. “Umidade baixa afeta os auvéolos pulmonares, desidrata e traz o envelhecimento precoce”, informa.
A umidade relativa do ar recorde pode ter sido ainda menor. “O registro que fazemos, no Inmet, é uma média que leva em conta o microclima. Em outros locais, com mais concreto, pode ser que a meteorologia tenha chegado a 25%”, afirma Lúcia Goulart.
Agosto é o mês que chove menos, apenas sete dias, em média, e Manaus está há 14 dias sem chuva, o que pode trazer problemas respiratórios e cardiovasculares. “Ano passado, na maior seca da história, houve 62 dias sem chuva”, disse. O mês que mais chove é o de março. Os Estados de Rondônia e Mato Grosso já estão há mais de 60 dias sem chuva.