A BR-174, que liga Manaus a Boa Vista e daí à Venezuela e ao Caribe, acaba de ser reaberta, depois de um protesto de caminhoneiros que a deixou fechada por vários dias. Não é a primeira vez que isso acontece e dificilmente será a última.
Essa rodovia, até aqui, vinha sendo tratada pelas lideranças amazonenses como uma obrigação do então ministro Alfredo Nascimento, eleito senador pelo Amazonas, mas, sem entrar no mérito das razões que o levaram a pedir demissão do Ministério dos Transportes, esse caminho se revelou inócuo.
A realidade hoje é diferente.
A BR-174 não é um mero caminho para o amazonense chegar à Ilha de Margarita, durante as férias, embora não haja nada de errado quanto a isso. É também a principal via de abastecimento de Boa Vista e praticamente todo o interior de Roraima, incluindo-se aí tanto víveres quanto combustíveis.
A logística é o maior problema do Amazonas, no âmbito das dificuldades enfrentadas pelo modelo Zona Franca de Manaus. Está aí mais uma lacuna que poderia muito bem ser preenchida pela BR-174, ligando o Amazonas ao Caribe, oferecendo às empresas transportadoras segurança de que suas carretas não quebrarão nos buracos do caminho.
Há muitas razões para que o Amazonas brigue por essa estrada. A começar pela enorme soma de recursos dispendida pelo próprio Governo Federal, através do Ministério dos Transportes, por uma manutenção que nunca chegou nem perto da eficiência.
Isso agora deixou de ser responsabilidade exclusiva do ministro, que deixou de sê-lo sem cumprir sua parte, e passa a ser um problema de todos nós, representantes do povo amazonense.
Precisamos reivindicar a manutenção da estrada, que em alguns pontos precisa de reconstrução, como no trecho que vai entre a divisa Amazonas-Roraima e o rio Branco, na entrada de Caracaraí (RR), e ir adiante.
A BR-174 precisa ser transformada numa estrada de verdade. Não será justa chamá-la assim, enquanto não estiver duplicada entre Manaus e Presidente Figueiredo. E essa duplicação precisa ser feita de forma exemplar, com canteiro central, arborização, até pela necessária compensação ambiental, acostamento e terceira pista nos pontos mais difíceis.
Claro que, após a duplicação, a rodovia precisará de controle eletrônico de velocidade, com a sinalização horizontal e vertical impecável e radares instalados a distância regulares, além de iluminação em toda a extensão.
Entre Figueiredo e Boa Vista, ao mesmo tempo, também há necessidade de um asfaltamento de qualidade, incluindo-se aí a recuperação de base e sub-base, hoje inteiramente destruídos, com construção de terceiras pistas em trechos mais sinuosos.
Essas reivindicações deixam de ser apenas promessas de campanha feitas pelo ex-ministro e tornam-se propostas de todos os que têm mandato no Amazonas.
Leio que o general de Exército Jorge Ernesto Pinto Fraxe, que é roraimense, será nomeado para o comando nacional do DNIT. Seja bem-vindo. O passado dele é sinalização importante de moralidade no órgão. Tomara que seja um aliado do Amazonas e do Brasil, desta vez para valer, na transformação da BR-174 numa rodovia útil para todos.
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* Marcos Rotta é deputado estadual, vice-presidente da Assembléia Legislativa e presidente da Com...