14/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

ZFM: Falando sério (VIII)

Publicado em 09 de agosto, 2011

Lisboa – Vejo políticos fazendo esforço hercúleo para tapar o sol com a peneira. Fingem acreditar, por exemplo, que a ampliação da isenção de 75% para 100% do Imposto de Renda traria algum aumento significativo de competitividade para a Zona Franca de Manaus. Mas pessoas minimamente informadas sabem que isso é extensivo a toda a área da Sudam e da Sudene e fazem a indagação: se os outros benefícios valem para todo o Brasil e haverá isenção de 100% do Imposto de Renda também no Nordeste, por que uma indústria haveria de escolher Manaus para produzir tablets?

Batem na tecla de que estariam “negociando” que as telas dos tablets não ultrapassem 600 centímetros quadrados. Pois quem, de boa fé e consciência sã acreditará que limitar o tamanho das telas impediria a instalação das cadeias produtivas desses equipamentos fora daqui? Depois de implantar todo o complexo para telas com 600 centímetros quadrados fora de Manaus, por que as empresas aumentariam seus custos, ampliariam esses complexos, só para fabricar em Manaus os aparelhos com telas de tamanho superior?

Com essa miopia e essa irresponsabilidade, o Polo Industrial de Manaus irá, inexoravelmente, para a derrocada. Não há coragem para enfrentar o poder e nem honestidade para diagnosticar o problema corretamente.

Querem manter o povo iludido, mentindo sobre a origem dos nossos problemas. “Brigam” por penduricalhos, pensando meramente em salvar carreiras políticas. Não são capazes de evitar que a Zona Franca prossiga em rota de enfraquecimento.

Temo que parte da população se deixe anestesiar mais uma vez, a mídia aí incluída, até por sentimento impotente de autodefesa: melhor acreditar nos vendedores de ilusão do que raciocinar com a hipótese pior.

Vejam a nova política industrial brasileira. Logo surgiram as vozes da desonestidade intelectual “enxergando” “vantagens” para a Zona Franca de Manaus. Parece que não leram a “Diretriz Estruturante 1”que, a meu ver, tem relação com as MPs 517 e 534 e fortalece a ideia de levar as cadeias produtivas de tablets, artefatos de convergência digital, celulares e televisores interativos para longe de Manaus.

Chama-me a atenção, igualmente, a referência às ações relacionadas ao desenvolvimento regional, que desloca a ZFM do plano nacional. Deixa ela de ser vista como estratégica para o País, para desempenhar papel menor ou, como quer o ministro Fernando Pimentel, para seguir o rumo das suas vocações regionais e ecológicas.

Uma pessoa que diga acreditar que o governo, ao elaborar as novas linhas de política industrial, pensou positivamente no Amazonas, das duas uma: não trata os assuntos públicos a sério ou é despreparada para defender ou representar o nosso estado.

Já vi que esta série de artigos não acaba tão cedo.

Até domingo.

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Autor
Arthur Virgílio Neto

* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus

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