29/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

PF diz que Mauro Cid buscou respaldo jurídico para golpe de Estado

Publicado em 16 de junho, 2023

PF diz que Mauro Cid buscou respaldo jurídico para golpe de Estado

A Polícia Federal (PF) concluiu que o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “reuniu documentos com o objetivo de obter o suporte jurídico e legal para a execução de um golpe de Estado“.

A suspeita surgiu depois de análise de dados e mensagens no aparelho celular do militar. 

A PF diz ainda que “o investigado compilou estudos que tratam da atuação das Forças Armadas para a garantia dos Poderes constitucionais e GLO [Garantia da Lei e da Ordem]. Os documentos tratam da possibilidade de emprego das Forças em caráter excepcional destinado a assegurar o funcionamento independente dos Poderes”.

A análise identificou ainda que Cid usa um vídeo de um jurista que deu suporte para teses de teor golpista baseadas no artigo 142 da Constituição.

O encontro de um documento apócrifo (sem assinatura) enviado a partir de um número atribuído a Cid levou à produção do relatório da PF. Segundo essa investigação, no dia 28 de novembro de 2022, já depois da derrota de Bolsonaro, Cid envia três imagens que chamaram a atenção dos policiais.

As fotografias seriam backup de um documento que, em seu parágrafo final, dizia: “diante de todo o exposto e para assegurar a necessária restauração do Estado Democrático de Direito no Brasil, jogando de forma incondicional dentro das quatro linhas, com base em disposições expressas da Constituição Federal de 1988, declaro o estado de sítio e, como ato contínuo, declaro operação de Garantia da Lei e da Ordem”.

Mensagens

Além disso, foram identificadas mensagens do coronel Jean Lawand, sugerindo o golpe. O conteúdo trazia pedidos de Lawand para que Cid convencesse Bolsonaro a ordenar uma intervenção militar no país, após a derrota nas eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Os referidos estudos possivelmente serviram de fundamento para a confecção de uma minuta de decretação de Estado de Sítio e Garantia da Lei e da Ordem – GLO, identificada no aplicativo WhatsApp de Mauro Cesar Cid”, afirma o delegado Fábio Alvarez Shoir, em relatório enviado ao ministro Alexandre de Moraes.

O magistrado retirou nesta sexta-feira (16) o sigilo do relatório da PF que contém a análise de mensagens e documentos nos celulares de Cid, sua esposa Gabriela Santiago Cid e do sargento do Exército Luis Marcos dos Reis, ex-integrante da Ajudância de Ordens de Bolsonaro.

Após a revelação do material encontrado no celular de Mauro Cid, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se manifestou, afirmando que ele “jamais participou de qualquer conversa sobre um suposto golpe de Estado”.

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