10/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Por videoconferência, Mauro Cid depõe à PF sobre caso das joias sauditas

Publicado em 22 de maio, 2023

Por videoconferência, Mauro Cid depõe à PF sobre caso das joias sauditas

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro (PL), presta depoimento na tarde desta segunda-feira (22) sobre a entrada de joias não declaradas vindas da Arábia Saudita no Brasil.

O depoimento foi marcado para começar às 15h30, por videoconferência. Os investigadores do caso são da Polícia Federal (PF) em São Paulo e ouvem o militar de dentro da cela em que ele está preso no quartel-general do Exército, em Brasília. Cid está acompanhado de seus dois advogados.

Essa oitiva estava marcada para 3 de maio, mas a PF prendeu o coronel na madrugada do dia 3 por conta de outra investigação em andamento, a que apura supostas fraudes em cartões de vacinação contra a Covid-19. Por conta disso, o depoimento do caso das joias sauditas foi reagendado para esta segunda-feira.

Cid já prestou depoimento sobre o caso das joias sauditas em 5 de abril. Na primeira oitiva, o militar declarou à Polícia Federal que buscar presentes recebidos pelo então presidente era algo “normal” e “corriqueiro” na ajudância de ordens.

Segundo fontes a par da investigação, ele afirmou, ainda, que Bolsonaro teria pedido a ele para “verificar” a situação das joias avaliadas em R$ 16,5 milhões apreendidas na alfândega e incorporar ao acervo da Presidência.

Esse primeiro depoimento do coronel Cid durou três horas e é considerado fundamental para o inquérito da PF que investiga a entrada ilegal no Brasil de joias presenteadas pelo governo da Arábia Saudita. Isso porque o militar era o braço direito de Bolsonaro e cumpria suas ordens.

A PF quer saber, nesse inquérito sigiloso, se o então presidente agiu de maneira irregular para tentar reaver o pacote retido pela Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos.

O militar foi o responsável pelo envio de um ofício à Receita Federal, em 28 de dezembro, determinando a “incorporação de bens apreendidos”. Foi esse o documento apresentado pelo ajudante de ordens da Presidência Jairo Moreira da Silva para um auditor fiscal na alfândega, sem sucesso.

Segundo a âncora da CNN Daniela Lima, mensagens do celular de Cid revelam que ele tentou alterar a data de um ofício na tentativa de recuperar as joias retidas.

Relembre o caso

Em 2021, o príncipe da Arábia Saudita Mohammed bin Salman Al Saud entregou dois estojos com joias ao então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que representou Jair Bolsonaro em agenda no país.

Os objetos, porém, não foram declarados como presentes de Estado – o que os eximiria de ter de pagar taxa na chegada ao Brasil, além de os regularizar e dar a devida destinação.

O ex-ministro de Minas e Energia e a equipe de assessores dele viajaram em voo comercial e chegaram ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no dia 26 de outubro de 2021.

Um dos estojos, que estava com um dos assessores e continha um colar, um anel, um relógio e um par de brincos de diamantes avaliados em R$ 16,5 milhões, foi localizado e apreendido pela Receita.

Produtos declarados

A Receita Federal impõe que todos os produtos com valor superior a US$ 1.000 sejam declarados na entrada ao país, o que não foi feito.

De acordo com o órgão, a incorporação ao patrimônio da União exige um pedido de autoridade competente, “com justificativa da necessidade e adequação da medida, como, por exemplo, a destinação de joias de valor cultural e histórico relevante a ser destinadas a museu”.

No segundo estojo havia uma caneta, um anel, um relógio, um par de abotoaduras e uma espécie de terço islâmicos, com valor oficialmente não divulgado, mas que está avaliado em R$ 500 mil. Este foi listado no acervo pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro negou irregularidades com as joias que recebeu de presente do governo da Arábia Saudita e afirmou que os objetos estavam cadastrados.

“Se houvesse má-fé por parte de alguém, não teria sido cadastrado. (…) Nada foi escondido. Se a imprensa divulga, é porque tem um cadastro dizendo que foi recebido”, explicou, adicionando que todos os itens estão “à disposição”.

Veja mais notícias em Política

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.