Um boato, que chegou a ser publicado no site www.newsrondonia.com.br, num post logo depois retirado, circulou hoje (02/01) nas redes sociais, afirmando que os corpos dos desaparecidos na região Sul do Amazonas, Stef Pinheiro, Luciano Freire e Oldeney Ribeiro, haviam sido encontrados. Os corpos estariam dentro da caminhonete em que os três viajavam e esquartejados. O boato gerou mais tensão em Humaitá (AM), onde ocorreram depredações recentes, e levou o delegado da Polícia Federal do Acre, Alexandre Alves, responsável pelas investigações do caso, a conceder diversas entrevistas desmentindo tudo.

O cacique Ivan Tenharin, cuja morte provocou os conflitos no Sul do Amazonas, em foto publicado no blog de Ivan Bocchini, representante da Funai em Humaitá
PF, Força Nacional e Exército estão vasculhando a rodovia BR-230 (Transamazônica), na área onde os três desapareceram, em busca de informações. Há suspeita de que eles tenham sido capturados pelos índios, como retaliação pela morte do cacique Ivan Tenharin, no dia 03/12. O site www.acriticadehumaita.com.br afirma que uma nota, publicado no blog do representante da Fundação Nacional do Índio em Humaitá, Ivan Bocchini, pondo em dúvida as circunstâncias da morte do cacique, teria incendiado os ânimos.
Clique aqui e leia o post de Ivan Bocchini
Culto
Um culto ecumênico pelas vidas dos desaparecidos na altura da reserva indígena Tenharin, em Humaitá, será realizado domingo (05/12). Os três homens sumiram na BR-230 (Transamazônica), nas proximidades da Terra Indígena Tenharin, dia 16/12, sem deixar sinais. O Sindicato Rural do Sul do Amazonas (Sindisul), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (FAEA) e a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estão promovendo o evento religioso, na praça de alimentação do Município de Apuí-AM, às 10h.
O culto deve atrair produtores rurais e demais moradores de Humaitá e Manicoré, distrito de Santo Antônio do Matupi, além dos de Apuí. Trata-se da região mais agrária do Amazonas e área de expansão do agronegócio que explodiu no Centro-Oeste brasileiro, especialmente no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Durante a celebração também será feito um pedido pela paz no campo.
O presidente da Federação da Agricultura do Amazonas (FAEA), Muni Lourenço Silva Júnior, emitiu nota em apoio aos agricultores da região Sul do Amazonas, em confronto praticamente aberto com os índios da etnia Tenharin. A nota defende mais presença do Estado e critica problemas como a cobrança de pedágio, “que tem humilhado e provocado insegurança”. O Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro Nação Mestiça também emitiu nota, afirmando que o confronto se deve à política petista de discriminação racial, que ignora os mestiços.
Veja abaixo as notas das duas entidades:

Nação Mestiça: Nota de apoio ao Povo Mestiço de Humaitá, Manicoré e Apuí
O Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro – NAÇÃO MESTIÇA, associação representativa da comunidade do povo mestiço, vem expressar seu mais veemente repúdio à política racial e étnica discriminatória contra mestiços empreendida pelo Governo Federal, comandado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), destacadamente através da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), que levou aos lamentáveis conflitos étnicos entre índios e mestiços ocorridos nos municípios de Humaitá, Apuí e Manicoré, no Estado do Amazonas.
Há anos o NAÇÃO MESTIÇA vem denunciando que as atuais políticas de incentivo à divisão étnica e racial do povo brasileiro, com a criação de leis que concedem direitos diferenciados por raça, cor, etnia e origem nacional, como cotas e territórios raciais, agridem a nacionalidade e hierarquizam a cidadania e, por consequência, debilitam o Estado e a democracia, indo contra a unidade do povo brasileiro e a soberania da Nação.
Entendemos que a demora em tomar providência sobre o desaparecimento de três pessoas no município no Humaitá indica o descaso do governo federal com a população mestiça, especialmente quando há conflito com sua política indigenista.
Ressaltamos que a Fundação Nacional do Índio, sendo um órgão público que integra a estrutura do Governo Federal mantido com os impostos de todos os brasileiros, não é um Estado soberano, devendo servir aos interesses da Nação e do povo brasileiro em geral, inclusive em sua função de proteger e promover os direitos dos índios, a qual deve ser realizada no sentido de harmonizar e fortalecer a unidade do povo brasileiro e não no de criação de castas ou hierarquias étnicas e raciais.
Tal postura do Governo Federal tem se mostrado quando permite que índios cobrem pedágio para que mestiços se desloquem em estradas; permite que ostentem placas da Fundação Nacional do Índio em áreas ainda não demarcadas; que ocupem áreas habitadas legalmente por mestiços e os expulsem de suas terras, como ocorre na Bahia. Ocorre quando o Governo Federal promove limpezas étnicas de mestiços, como a realizada em Suiá Missu, no Mato Grosso, e como está para ser realizada em São João do Caru, no oeste do Maranhão. Ocorre quando o Governo Federal omite de seus relatórios circunstanciados a existência de mestiços e promove uma antropologia que sustenta uma visão negativa da mestiçagem.
Ocorre quando o Ministério da Justiça chama organizações índias, mas não chama a organização mestiça para dialogar e tratar sobre as demarcações em áreas habitadas pelo povo mestiço, etnia reconhecida por lei pelos Estados do Amazonas, de Roraima e da Paraíba.
Ocorre quando o Governo Federal ignora tratados, convenções e outros documentos internacionais assinados pelo Estado brasileiro que proíbem políticas de apartheid e discriminação racial contra população mestiça.
Diante desta postura, repudiamos também atos de constrangimento e violência física, moral e psicológica contra o povo mestiço dos municípios de Humaitá, Manicoré e Apuí, no sentido de que sejam assegurados os seus direitos, inclusive seu direito originário sobre a terra, e tomadas todas as medidas cabíveis, notadamente pelas autoridades responsáveis, a fim de localizar com a maior brevidade possível os três mestiços desaparecidos.
Manaus (AM), 28 de dezembro de 2013.
HELDERLI FIDELIZ CASTRO DE SÁ LEÃO ALVES
A Presidente
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