Os esforços que vêm sendo realizados pelo Amazonas para implementar e disseminar, nas maternidades da rede pública, o atendimento humanizado ao parto e nascimento, receberam elogio da coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher, do Ministério da Saúde (MS), Ester Vilela. “Temos acompanhado e apoiado esses esforços, que incluem a alocação de investimentos em infraestrutura e a qualificação tanto da gestão dos serviços e de recursos humanos, para seguir o forte movimento que temos no País em direção as chamadas boas práticas na assistência ao parto e nascimento, preconizadas pela Rede Cegonha”, disse a representante do MS, antes da palestra de abertura do “Seminário de Boas Práticas na Assistência à Mulher e ao Recém-Nascido”. O evento, que acontece até este sábado (14) no Salão de Reuniões do Slass Hotel, reúne profissionais de saúde de mais quatro Estados (Rondônia, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais).
O seminário integra o processo de preparação da Maternidade Balbina Mestrinho, para funcionar como um dos seis Centros de Apoio à Rede Cegonha, no País. O secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, que também participou da abertura do seminário, destacou que o Amazonas foi um dos primeiros estados brasileiros a formalizar adesão à Rede Cegonha, estratégia idealizada pelo Ministério da Saúde para implementação de um novo modelo de atenção ao parto e nascimento na rede SUS.
“Ainda temos muitos desafios, um deles é avançar na parte estruturante de nossas maternidades, o que tem sido difícil, em boa parte, devido aos entraves burocráticos junto à instituição financeira encarregada de analisar as propostas para acesso aos recursos da Rede Cegonha”, ressaltou o secretário. Alecrim frisou, ainda, que um desafio extra nesse processo, é garantir que as especificidades regionais sejam compreendidas no processo de implementação das políticas ou estratégias nacionais de saúde, como é o caso da Rede Cegonha.
Referência – Em julho deste ano, em Belo Horizonte (MG), durante reunião ocorrida no Hospital Sofia Feldman – uma das principais referências brasileiras na adoção de boas práticas relacionadas ao Parto e Nascimento -, a Área Técnica de Saúde da Mulher do MS anunciou que seis unidades de saúde do País seriam preparadas para atuar como Centro de Apoio do Desenvolvimento de Boas Práticas na Atenção Obstétrica e Neonatal. As seis unidades – de um total de dezesseis inicialmente avaliadas – foram escolhidas, entre outros aspectos, por reunir o maior conjunto de experiências expressivas na gestão e atenção ao parto humanizado.
Além da maternidade amazonense, o grupo de unidades de saúde que está sendo preparado para funcionar como Centro de Apoio da Rede Cegonha é composto pelo Hospital Nossa Senhora de Nazaré (Roraima); Hospital Risoleta Neves (Minas Gerais); Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão; Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Ceará) e Maternidade Dona Regina (Tocantins).
O diretor da Maternidade Balbina Mestrinho, Marco Lourenço Silva, explica que o processo para credenciar a unidade como Centro de Apoio da Rede Cegonha iniciou no último mês de outubro e deve durar um ano, período em que várias atividades serão realizadas envolvendo, internamente, as equipes de atendimento da unidade, mas também em articulação com outros serviços, como é o caso, em nível local, da Maternidade Ana Braga e do Instituto da Mulher Dona Lindu (IMDL), que também estarão participando do seminário.
Boas práticas – Em maio deste ano, a Maternidade Balbina Mestrinho passou a funcionar em um novo e moderno prédio construído pelo Governo do Estado em parceria com o Ministério da Saúde, e todo projetado e equipado para atender às diretrizes da Rede Cegonha, com ambiente mais acolhedor e reforço das práticas voltadas para o atendimento integral e humanizado às gestantes e recém-nascidos. São elas: adoção dos chamados leitos PPP (Pré-parto, parto e pós-parto); a presença de um acompanhante da escolha da grávida em todas as fases do trabalho de parto, parto e puerpério; o acolhimento com classificação de risco; o uso de métodos não farmacológicos para o alívio da dor; o imediato contato pele a pele entre mãe e recém-nascido; alojamento conjunto e outras boas práticas já fazem parte da rotina de atendimento da unidade. “Nosso desafio é aprimorar e integrar cada vez mais este conceito de atenção ao parto e nascimento ao dia a dia da unidade”, disse Marco Lourenço.
Programação – A “Gestão em Serviços de Saúde”, “Planejamento, Monitoramento e Avaliação”, “Modelo de Atenção Obstétrica e Neonatal” são temas que integram a programação do seminário, que começa nesta sexta-feira e que terá palestrantes do Ministério da Saúde e do Hospital Sofia Feldman, que é a unidade tutora do projeto de implantação dos Centros de Apoio da Rede Cegonha. Os participantes do seminário também participarão de uma “Oficina de Boas Práticas”, que terá início na tarde de sexta-feira e será concluída na programação do sábado.
Reconhecimento – A rede de maternidades do Governo do Estado encerra o ano de 2013 com vários títulos de reconhecimento por trabalhos desenvolvidos para assegurar a qualidade do atendimento à população e fortalecer as chamadas boas práticas na atenção integral à saúde da mãe e bebê. O Instituto da Mulher Dona Lindu recebeu, no último mês de outubro, o título de Hospital Amigo da Criança, concedido pelo Ministério da Saúde e Unicef a unidades que aplicam os chamados “10 Passos para o Aleitamento Materno”, com ações de apoio e estímulo à amamentação. A Maternidade Ana Braga teve renovado o seu título de Hospital Amigo da Criança e também foi credenciada como unidade de referência estadual no Método Canguru, um modelo de assistência perinatal voltado para o cuidado com bebês prematuros e que faz parte da estratégia Rede Cegonha.
Além do grande investimento realizado na obra da nova Maternidade Balbina Mestrinho, que foi entregue em agosto, o Governo do Estado já anunciou que, em 2014, fará uma grande obra de reforma e ampliação da Maternidade Nazira Daou, que será transformada em Hospital da Mulher.
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