13/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Nós somos os que comemos

Publicado em 27 de julho, 2011

É difícil aceitar a disposição dos empresários do Distrito Industrial em manter o mesmo cardápio servido aos trabalhadores por anos a fio. Não precisa perguntar o que vai ser servido no café da manhã. A resposta é a mesma: pão com manteiga, café com leite. Dez anos depois o cardápio continua o mesmo. Sem alterar sequer a marca da margarina.

Igual ao café da manhã, o almoço tem o seu cardápio inalterado pelo menos igual à idade da Zona Franca de Manaus. Ele vem sempre repleto de carboidratos, provenientes da alimentação não balanceada. Os carboidratos são para o ser humano como a gasolina para um carro, precisamos deles para funcionar, mas se comemos precisamos gastar, pois, do contrário, são transformados em gordura. A obesidade é um dos problemas enfrentados pelos trabalhadores e um dos motivos de discriminação na hora da contratação.

Precisamos tratar bem o trabalhador, fazer da alimentação uma fonte de saúde, de energia, não mais um fator causador de doenças, além das inúmeras registradas pelo esforço repetitivo, que hoje mantém uma média de 35 mil trabalhadores com algum tipo de doenças ocupacionais.

Alimentação para nós, do Sindicato dos Metalúrgicos, é coisa séria. É por isso que colocamos na nossa Convenção Coletiva/2011 exigências iguais a do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), um programa do Ministério do Trabalho e Emprego, estruturado na parceria entre Governo, empresa e trabalhador, além de dar incentivos às empregadoras.

Com uma boa alimentação, o trabalhador ganha qualidade de vida, aumento de sua capacidade física, aumento de resistência à fadiga, aumento de resistência a doenças, redução de riscos de acidentes de trabalho. A empresa ganha, produtividade, integração entre trabalhador e empresa, redução dos atrasos e faltas, redução da rotatividade no emprego, isenção de encargos sociais sobre o valor da alimentação fornecida ao trabalhador e incentivo fiscal, deduzindo até 4% no seu imposto de renda. Já o governo ganha a redução de despesas e investimento na área da saúde, crescimento da atividade econômica e, por fim, o bem estar social.

Não estamos reinventando a roda e, muito menos, temos a intenção de fazer isso. Nossa intenção é barrar os índices assustadores de doenças registrados no interior das fábricas do Polo Industrial de Manaus, nas fábricas do Amazonas, na indústria, comércio e serviços. Não podemos admitir trabalhadores sendo transportados como sardinhas enlatadas, ficar 8h em pé na linha de montagem, beber água só quando vai ao banheiro (os bebedouros ficam longe do local de trabalho). Não podemos admitir que empresas se capacitem para receber incentivos e descontos nos impostos e não revertam isso em favor dos trabalhadores. Queremos comer bem para podemos existir dignamente e manter a marca de trabalhadores mais produtivos do Brasil.

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Autor
Valdemir Santana

* Valdemir Santana é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.

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