05/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Neurocientista explica o que é AIT, suas diferenças e semelhanças com o AVC

Publicado em 13 de dezembro, 2022

Foto: Divulgação

O ator e humorista Renato Aragão sofreu, na última semana, um Acidente Isquêmico Transitório (AIT). O PhD em Neurociências Fabiano de Abreu Agrela revela que o AIT possui semelhanças com um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que é mais comum e conhecido.

Segundo Fabiano, o AIT tem como principal diferencial o tempo de estabilização e reversão do quadro clínico, que acontece em até 24 horas. “Alguns dos sintomas são fraqueza muscular, visão dupla, assimetria da face e dificuldade para falar ou para se mexer”, explica.

O que é o ITC?

“O ataque isquêmico transitório (AITs) ou ‘mini acidente vascular cerebral’ é causado por uma interrupção temporária no suprimento de sangue para parte do cérebro, interferindo no fornecimento de oxigênio”, explica Fabiano de Abreu Agrela.

Os seus sintomas são facilmente perceptíveis, por isso, deve-se ter atenção aos pontos abaixo:

Rosto: pode “cair” para um lado. Além disso, a pessoa pode não conseguir sorrir, ou a boca ou os olhos caem;
Fala: torna-se arrastada, distorcida. Algumas pessoas não conseguem falar, apesar de parecer estar acordadas; problemas para entender o que as pessoas dizem;
Braços: a pessoa pode não conseguir levantar os dois braços e mantê-los levantados devido à fraqueza ou dormência em um deles;
Visão: torna-se dupla ou embaçada.

Ainda de acordo com o especialista, os pacientes podem também sentir dores de cabeça repentinas, tonturas e até experienciar perda de equilíbrio.

Causas e tratamentos

Como explicado acima, o AIT pode acontecer como decorrência de um coágulo sanguíneo que bloqueia, de forma temporária, o fluxo de sangue para o cérebro. Esse coágulo pode ter diferentes origens, desde danos arteriais causados pelo colesterol alto ou pela pressão arterial elevada, até coágulos formados no coração por conta de infartos recentes ou anomalias cardíacas – e que “viajam” pela corrente sanguínea até o cérebro.

“O tratamento depende das circunstâncias, como idade e histórico médico”, continua o especialista. “O coágulo pode ser removido de forma natural, pelo próprio organismo. Isso não quer dizer que não tenha que ir ao hospital. Em casos como esse, recomenda-se a emergência. Pode ser necessário o uso de remédios, até mesmo como precaução aos riscos de AVC”, diz.

Além disso, em alguns casos, pode ser necessária uma cirurgia, chamada endarterectomia carotídea. O procedimento desbloqueia as artérias carótidas, ou seja, os principais vasos sanguíneos que fornecem sangue ao cérebro. “Também pode ser necessária uma mudança na rotina de vida para hábitos mais saudáveis”, finaliza.

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