
EXCLUSIVO Wilson Lima revela como lidou com a campanha e confessa que os primeiros anos foram difíceis. Na foto, posse de concursados do Detran-AM, ele está em companhia do presidente da Aleam, Roberto Cidade (à direita), do presidente do órgão, Rodrigo Sá, e do deputado João Luiz (encoberto)
O governador Wilson Lima, 46 anos, afirma que, durante a campanha recente, viveu a rotina mais tranquila dos últimos quatro anos. “Acordava às 8h, ia para a academia. Só depois começava a agenda, com visitas na capital e viagens ao interior. Por volta do meio-dia estava em casa, almoçando com minha família. Ainda tinha tempo para tirar uma soneca e só retomava os compromissos às 16h”, contou. Uma surpresa, para quem o viu percorrendo mais de um Município e pedindo votos na periferia da capital, no mesmo dia.
Wilson enfrentou os experientes ex-governadores Amazonino Mendes e senador Eduardo Braga. Começou em terceiro, sob ameaça de um “bombardeio” por causa da crise de oxigênio, ocorrida durante a pandemia. Desde o final do 1º Turno, no entanto, ficou patente que obteria a vitória. Virou na frente e ganhou com 56,65% (1.039.192 votos), contra 43,35% (795.098) de Braga. Um dos fatores que mais chamava a atenção dos observadores era, justamente, a diferença de mobilidade dele, em relação aos concorrentes. Amazonino, com a saúde debilitada, mal resistiu aos primeiros momentos do 1º Turno. Braga preferiu concentrar os esforços apenas em Manaus, enquanto o governador percorria o interior. Ninguém diria que o vitorioso tivera uma rotina tão sossegada.
Os detalhes foram revelados numa conversa informal, nos bastidores da sede de governo. Bem-humorado e descontraído, Wilson havia acabado de sair da cerimônia de posse dos primeiros concursados do Detran-AM, em décadas. Durante o ato, ele descontraiu, brincou e acabou soltando: “Os dois primeiros anos da minha gestão foram muito difíceis. Eu era novato. Tive que aprender na porrada. Na marra”, disse. “Agora estamos muito mais preparados e vamos realizar muito mais”.
Entre outros planos, Wilson planeja entregar o Anel Viário Leste, nos próximos meses, e o Anel Viário Sul, até o fim de 2023. “É a maior intervenção viária do Amazonas, em décadas”, afirma. A obra estava paralisada, foi parcialmente retomada durante o governo tampão de Amazonino, durante o qual parou novamente. Foi retomada somente agora, com uma trabalhosa reforma das fontes de recursos.
O aprendizado do governador teria sido a base que permitiu à administração navegar em “velocidade de cruzeiro” – parte mais tranquila de um voo. A máquina anda, nesse estágio, sem precisar que o gestor dê ordens a toda hora.
A reeleição veio com um empenho quase completo dos diversos segmentos da gestão estadual. “Andamos sempre no limite e dentro das quatro linhas”, disse Wilson.
O governador estava em companhia do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), Roberto Cidade, e do presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da casa, João Luiz. E aproveitou para brincar sobre a relação do Executivo amazonense com o parlamento. “Há independência e respeito. Procuro tratar cada parlamentar da melhor forma. E levo sempre o presidente, em todas as viagens, para garantir que ele não esteja tramando contra mim” (risos).