
Entrevista Bumbá Caprichoso, um resumo da gestão de Jender Lobato (foto), por ele mesmo, em entrevista a Marcos Santos
O presidente do Boi Bumbá Caprichoso, Jender Lobato, foi um menino que cresceu como torcedor fanático da agremiação. Agora, ao se tornar presidente, com mandato prorrogado até agosto de 2023, luta por mudanças. “Assumi com o curral sem energia, por dever uma conta de R$ 400 mil. Tive que tomar posse no Ceti (Centro Educacional de Tempo Integral)”, recorda, “mas agora temos até cartão de crédito e vamos pagar os artistas com pix, na conta do boi”, sem temer bloqueios judiciais, afirma.
Jender tem presidido uma corrida insólita contra ameaças de leilões. “Já evitamos mais de cinco”, revela. O último, esta semana, ficou na ameaça. “Mudou o juiz e ele não sabia que houve bloqueio judicial do valor a ser pago à empresa credora, por uma terceira”, explica.
O presidente conta que diminuiu dívidas previdenciária, tributária e ativa da União de R$ 6 milhões para R$ 3 milhões. Em plena pandemia, quando o Festival de Parintins deixou de acontecer por dois anos, reformou o curral Zeca Xibelão, Escola de Artes e está adaptando o galpão principal às normas de salubridade trabalhistas. “Só no último Festival, 2019 (quando ainda não era presidente), o Ministério do Trabalho nos aplicou uma multa de R$ 1,8 milhão, que está em fase de execução. O bumbá foi condenado à revelia”, isto é, sem se defender judicialmente, denuncia.
Jender mostra gratidão ao trabalho do escritório Lira Góes, cujos advogados são “anjos da guarda” do bumbá. “Não perdemos nenhuma ação, desde que entrei, e o trabalho deles é inteiramente voluntário”, enfatiza. E não é pouca coisa. O bumbá acumula mais de 500 processos judiciais, conforme o presidente.
O aumento das dívidas dos bumbás, todos os anos, segundo ele, se deve a dois fatores: mal planejamento e desistências de patrocinadores. “Nossa gestão tem o objetivo de pagar em dia os artistas, a nossa mão-de-obra em geral, que representa de 60% a 70% dos gastos anuais”, disse. E o pagamento será em pix, isto é, “por dentro”, sem subterfúgios. “O Caprichoso tem certidões negativas e está apto a receber dinheiro de convênios diretamente”, comemora.
A meta do presidente do Caprichoso, nesta altura de sua gestão, é criar uma Lei de Responsabilidade Fiscal, para “amarrar” futuros presidentes a compromissos. Felipe Ximenes, ex-diretor do Flamengo, amigo pessoal de Jender e torcedor do Caprichoso, vai ajudar na criação dessa lei, nos moldes do que fez no clube, responsável em grande parte pelo sucesso do rubro-negro carioca.
“Estamos preparando o maior espetáculo já visto na arena do Bumbódromo. As lives mostraram um pouco do que estamos fazendo”, promete Jender Lobato.