Cultura, folclore e tradição vão marcar as três noites de apresentação do boi Caprichoso no 48º Festival Folclórico de Parintins, que traz para a arena do Centro Cultural Amazonino Mendes (Bumbódromo), a história do seu centenário. As noites serão regidas por três grandes nomes do bumbá, Roque Cid, apresentado este ano como fundador, Luiz Gonzaga, que participou da fundação e comandou o grupo de 1925 a 1963, e Luiz Pereira, o “seo” Luizinho, que fez a transição para o momento atual.

Registro das alegorias de Caprichoso e Garantido, na Praça dos Bois, preparando a primeira noite de apresentação no Festival Folclórico 2013. Foto: Alex Pazzuelo
O boi azul e branco vai apresentar o ritual indígena dos Gavião Ikolen, tribo indígena de Rondônia. Dois enormes guindastes chegaram à cidade hoje e serão utilizados, entre outros momentos, na aparição do pajé do bumbá, Valdir Santana, que promete ser “a mais espetacular de todos os tempos”, nas palavras de um dos conselheiros de arte da agremiação, Gil Gonçalves. Cantando, os pajés invocam os seres do além dos céus, águas e floresta. Depois da transformação, podem voar e se metamorfosear em onças, porcos queixadas, répteis e outras feras da mata.
O Caprichoso rememora suas apresentações mais marcantes, que se destacaram pela ousadia e temática. O bumbá se propõe a resgatar espetáculos épicos, dos monstros das águas que atormentam pesadelos dos navegantes, da guerra entre os belicosos Munduruku e Mura, da fantasia de uma Amazônia Quaternária, da conversa do Pajé com o sobrenatural Tupã, lamentando a cobiça do branco, dos pescadores canoeiros. O bumbá vai levar a galera azul e branco a mergulhar nas lembranças nos ‘Cem anos de Folclore’, onde o Caprichoso “Faz da arte a sua história”.
É o ano também de homenagear São Pedro, padroeiro dos pescadores, com a figura típica regional ‘O pescador’, que mostrará o pescador amazônico com suas técnicas e instrumentos de trabalho. O seringueiro também será figura central desse item.
O Caprichoso quer mostrar a paixão, em cada personagem do espetáculo, que tem levado gerações a exaltar as cores, o folclore e a tradição de brincar de boi.
Transmissão
A TV A Crítica transmite o Garantido, a partir das 20h. A TV Tiradentes transmite o Festival Folclórico a partir das 19h, apresentando os bastidores do Garantido, instantes antes da entrada da arena. Ainda, de acordo com os contratos de exclusividade da transmissão, exibirá 3 minutos da apresentação do bumbá, ao vivo, à escolha do apresentador. Os bastidores do Caprichoso e a movimentação nos camarotes, enquanto isso, estará na tela da TV.
O Caprichoso vai apresentar o ritual indígena dos Gavião Ikolen. Eles acreditam que os pajés têm o poder de se transformar em outros seres e tomar o corpo do que não é humano, para então serem iniciados nas artes do xamanismo. O transe do pajé inicia após inalar o fumo sagrado que o orienta ao mundo dos espíritos. Cantando, os pajés invocam os seres do além dos céus, águas e floresta. Depois da transformação, podem voar e se metamorfosear em onças, porcos queixadas, répteis e outras feras da mata.
Outro ritual indígena será o dos Bororo, que têm por tradição celebrar a morte em um rito fúnebre que dura entre três e cinco meses. O ritual encena a viagem do espírito até a sua morada final, a ‘morada dos mortos’.
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