
Uma médica comenta, em um dos vídeos, sobre um suposto caso de tratamento bem-sucedido com o uso de azitromicina e cloroquina. Foto: Reprodução
Às vésperas do colapso no sistema de saúde do Amazonas, em janeiro deste ano, médicos da força-tarefa do Ministério da Saúde orientaram profissionais da área para utilizar remédios sem eficácia contra a Covid-19 no tratamento de pacientes.
A orientação foi registrada em vídeos – no dia 13 janeiro, véspera da crise pela falta de oxigênio em hospitais de Manaus e do interior do Amazonas -, que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia recebeu. As gravações foram extraídas de redes sociais.
O uso de medicamentos para o tratamento precoce da Covid-19, entre eles a cloroquina e a ivermectina, é ineficaz contra a doença, apontam estudos científicos.
Uma médica comenta, em um dos vídeos, sobre um suposto caso de tratamento bem-sucedido com o uso de azitromicina e cloroquina, em Porto Feliz (São Paulo). De acordo com o que é relatado na gravação, Porto Feliz teria registrado 20 óbitos pela Covid-19 até 13 de janeiro.Porém, até essa data, a cidade contabilizava 27 mortes pela doença.
“O tratamento precoce era Azitromicina, Hidroxicloroquina, zinco, vitamina D. Lá eles davam até enoxaparina. Até enoxaparina tinha gratuidade. Assim, eles fizeram um trabalho muito bonito com corticoide em dose alta e tal. E aí, só de fazer isso, a cidade tem 54 mil habitantes. Até agora, do começo do Covid até agora, eles têm 20 óbitos, sendo que desses 20 óbitos, apenas um fez tratamento precoce, os outros 19 não fizeram tratamento precoce. E esse paciente tinha muitas comorbidades. Então, assim, é um case de sucesso ou não é?”, realata a médica.
“Os documentos chegados a CPI e agora os vídeos que foram divulgados e que foram incorporados à investigação confirmam o que nós já desconfiávamos: durante o apogeu da segunda crise, da segunda onda de pandemia no Amazonas, quando os manauaras, o povo de Manaus precisava de oxigênio, mandaram em larga quantidade hidroxicloroquina”, comentou o presidente da CPI, Randolfe Rodrigues, sobre o conteúdos dos vídeos. “Quando se precisava de médico intensivista mandaram todos os especialistas, até psicólogo, menos médico intensivista”.
A CPI da Pandemia retoma os trabalhos nesta semana.