10/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Colônias flutuantes e pacotes de viagem: magnatas na exploração espacial

Publicado em 21 de julho, 2021

Colônias flutuantes e pacotes de viagem: magnatas na exploração espacial

Colônias flutuantes e pacotes de viagem: magnatas na exploração espacial. Fotos; Divulgação

Uma viagem com apenas 11 minutos de duração é responsável por grandes marcos na história da exploração espacial. O homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, dono da Amazon, embarcou, na manhã de ontem, em um voo histórico em companhia do irmão Mark Bezos, da pessoa mais velha e da mais nova do mundo a viajar para o espaço — a ex-aviadora Wally Funk, 82 anos, e o estudante Oliver Daemen, 18 anos. O jovem holandês também é o primeiro cliente a pagar por uma experiência do tipo.

A tripulação ultrapassou a Linha de Karman (a 100 km da Terra), o limite reconhecido internacionalmente entre a atmosfera e o espaço, a bordo de um foguete sem piloto — feito também inédito. Segundo especialistas, os acontecimentos podem impulsionar uma nova fase do turismo espacial e nos aproximam do dia em que pessoas comuns conseguirão visitar o espaço.

O foguete New Shepard, desenvolvido pela Blue Origin, decolou às 8h11 (10h11, no horário de Brasília), com apenas alguns minutos de atraso em relação ao horário previsto. A partida foi realizada em um lugar desértico do oeste do estado americano do Texas (sul dos EUA), a 40 quilômetros da pequena cidade de Van Horn. O veículo seguiu rumo ao espaço acima do 3 mach (medida de velocidade de aeronaves espaciais) graças aos propulsores movidos a hidrogênio e a oxigênio líquidos, que não emitem carbono, o que faz do foguete um meio de transporte menos agressivo ao meio ambiente.

Colônias

Em seguida, a cápsula que abrigava a tripulação se separou de seu propulsor e os passageiros passaram alguns minutos acima da Linha de Karman. Das grandes janelas que ocupavam um terço da superfície da cabine, os tripulantes da cápsula puderam admirar a curvatura do planeta e a intensa cor preta do universo. “Tudo é preto aqui”, exclamou Wally Funk, de acordo com o áudio da cápsula. Após alguns minutos sem gravidade, a cápsula desceu em queda livre até lançar três paraquedas gigantes e um retropropulsor, o que permitiu um pouso suave no deserto.

Os quatro passageiros saíram da cápsula e foram recebidos com aplausos pela equipe da Blue Origin. Jeff Bezos, que usava um chapéu de caubói, contou estar vivendo “o melhor dia de todos” e disse ter ficado maravilhado com a “beleza e a fragilidade” da Terra quando a viu do espaço. “Todos os que estiveram no espaço disseram que isso os mudou e que ficaram maravilhados com a Terra e a sua beleza, mas também com a sua fragilidade, e eu não poderia estar mais de acordo”, declarou. O empresário acrescentou que, embora a atmosfera parecesse “tão grande” na superfície, quando você se levanta, “vê que, na verdade, é incrivelmente fina, é uma coisa minúscula e frágil”.

Bezos costumava dizer, nas entrevistas que concedia, que um dos seus maiores sonhos era alcançar o espaço a bordo do primeiro voo tripulado da sua empresa, criada em 2000 com foco no turismo espacial. No último dia 11, o magnata Richard Branson, que também investe no setor, fez uma viagem semelhante.

Ele viajou para o espaço a bordo de um avião espacial, chamado VSS Unity, na companhia de três funcionários da sua empresa, a Virgin Galactic, e de dois pilotos O passeio espacial foi o primeiro voo civil tripulado da história, durou 20 minutos e atingiu 86 quilômetros de altitude. Branson felicitou Bezos pela conquista em seu twitter oficial assim que a cápsula pousou no deserto.

Viagens

Cássio Barbosa, astrofísico e professor no Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI), em São Paulo, explica que a principal diferença entre as duas viagens é o veículo utilizado. “No caso da Blue Origin, eles escolheram um foguete, que é uma espécie de peça de lego, em que outras peças podem ser encaixadas. Isso é um projeto mais clássico e que tem um pensamento no futuro. Eles querem adequar essa tecnologia para que ela seja usada em tarefas além do turismo, como a instalação de satélites”, afirma. “No caso da Virgin Galactic, temos um veículo mais parecido com um avião normal, que decolou e pousou de forma clássica, na horizontal, e em uma pista igual à de aeroportos”, diferencia.

Apesar da acirrada corrida, tanto Bezos quanto Branson insistem que não existe uma competição. “Há uma pessoa que foi a primeira a chegar ao espaço. Seu nome é Yuri Gagarin, e isso aconteceu há muito tempo”, disse Bezos, na última segunda-feira, a um programa de televisão americano, referindo-se ao marco de 1961 estabelecido pelo cosmonauta soviético. “Isso não é uma competição. É sobre construir um caminho para o espaço para que as futuras gerações possam fazer coisas incríveis lá”, enfatizou.

A Blue Origin planeja outros dois lançamentos para este ano ainda. “Recebemos 7.500 ofertas de mais de 150 países. Então, obviamente há muito interesse”, afirmou Bob Smith, diretor-geral da empresa, acrescentando que os primeiros voos “estão sendo vendidos a um ótimo preço”. O objetivo de Bezos é construir colônias espaciais flutuantes, nas quais milhões de pessoas poderiam trabalhar e viver. “Vai levar décadas; é uma grande ambição”, declarou o empresário que planejou sua primeira missão tripulada para coincidir com o 52º aniversário do primeiro pouso na Lua.

Já Branson pretende utilizar a experiência do voo como base para o aprimoramento da aeronave usada e informou que já tem uma lista de itens a serem melhorados na estrutura do veículo para dar mais conforto aos viajantes e permitir que tarefas mais complexas, como experimentos científicos, sejam realizadas com segurança. O empresário também adiantou que mais viagens testes estão previstas para este ano. Ele trabalha com a possibilidade de oferecer “pacotes comerciais” de exploração espacial a partir do ano que vem.

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