A retrospectiva da liderança da Primeira-Ministra Margareth Tatcher mostra que, em sua vida, empreendeu um modelo de enfrentamento e enquadramento de valores e princípios que julgava serem necessários e importantes para o comando de uma Nação. Ao final de uma década esse estilo, que garantiu grandes vitórias, estava superado e não mais atendia ao modelo atual de Liderança. Isso nos obriga a avaliar o modelo. Sua autodeterminação, sua firmeza, sua lealdade, seu espírito de servir, que antes era aclamado e ovacionado, foi objeto de sua renúncia e de seu ostracismo. Aquilo que era competência, agora tornara-se incompetência e não mais servia para a continuidade no cargo.
O exemplo de Margareth Tatcher continuará sendo uma polêmica e ao mesmo tempo uma reflexão sobre o alinhamento e ajustamento de ações aos quais os Líderes devem estar atentos a cada momento de sua carreira. Não há estabilidade, não há garantia de sucesso de longa durabilidade. O limite desse sucesso talvez seja até a próxima fronteira e a pergunta que não quer calar é: Qual é a próxima fronteira?
Falamos muito nos tempos atuais sobre os Princípios da Liderança Sustentável. Discutimos sobre os Dogmas da Liderança. Debatemos sobre as Ferramentas-chaves para o sucesso da Sustentabilidade. E, para nossa surpresa, os parâmetros não mudam muito quando comparamos aos tempos antigos. Senão vejamos:
– Liderança Engajada – difícil alcançar qualquer objetivo se não houver o querer coletivo. Nada se transforma, nada renova e nada evolui se não houver comprometimento de todos, em especial do Top 1.
– Execução – Planejar é importante, mas não é o bastante, é preciso por em prática, agir, executar.
– Coragem – Correr riscos e aceitar a derrota. Implementar mudanças e recomeçar é fundamental.
– Ambição, Aspiração, Senso de Oportunidade – Desejar uma vida melhor, aspirar um mundo melhor, aproveitar as oportunidades são partes integrantes da Liderança e o uso correto contribui para o desenvolvimento de todos.
Esses atributos não são únicos, apenas alguns importantes para entendermos ou acharmos a próxima fronteira, pois não há como negar que Margareth Tatcher possuía todos esses atributos e outros não nominados aqui. Mesmo assim ficou intransigente, ultrapassada e só agora, com a morte, será enaltecida e reconhecida, como bem definiu David Cameron , como “a melhor primeira-ministra em tempos de paz do último século”.
Talvez, e apenas talvez, porque um atributo imprescindível na figura do Líder, que é a Emoção, não fosse tão aflorado em suas ações e reações. A emoção que é tão essencial em Líderes que desejam mudanças sustentáveis. As verdadeiras mudanças ocorrem quando os Líderes não apenas sabem, mas também sentem, exigindo tanto cabeça quanto coração.
Talvez, e apenas talvez por isso, Tatcher tenha ganho o apelido de “A Dama de Ferro” e tenha influenciado profundamente outros Líderes.
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Ozeneide Casanova Nogueira é advogada e assistente social, com MBA em Gestão de Pessoas (FGV-ISA...