
O DVD “Do Rip Rap ao Flutuante” será lançado no canal do rapper Jander Manauara no YouTube, no próximo sábado (15/5). Foto: Divulgação
O novo trabalho do cantor, rapper e ativista Jander Manauara, que será lançado no próximo sábado (15/5), às 15h, é formado por canções que unem a preservação dos rios da Amazônia e o cotidiano amazonense. O artista lançará, de forma online, em seu canal no YouTube, o DVD “Do Rip Rap ao Flutuante”. O projeto mostra a história de Manaus através das águas (igarapés, rios e rip-raps) que refletem os sonhos e a resistência da população.
Falar de sustentabilidade e de protagonismo amazonense faz parte da trajetória do ativista e cantor, que já possui mais de 20 anos dedicados à cena do hip-hop local. Foi por meio da poesia e da arte que ele reuniu toda essa diversidade cultural e ainda convidou especialistas e outros artistas para levantarem essa bandeira, como a cantora Márcia Novo e o graffiteiro Denis L.D.O, entre outros.
Após três álbuns gravados, este é o primeiro DVD lançado por Jander, que apresenta a experiência como um processo de aprendizado e inspiração. “Quando coloquei o título “Do Rip Rap ao Flutuante” no meio do processo, nas escolhas das músicas, vi que não eram sobre o espaço físico, mas sim das falas das pessoas, de suas percepções com cada local que cada manauara atravessa no seu dia a dia. A poesia fala sobre esses desdobramentos corriqueiros urbanos e amazônicos ao mesmo tempo”, explicou Jander.
Ao todo, o DVD “Do Rip Rap ao Flutuante” reunirá oito faixas, metade delas inéditas, que demonstram a facilidade do rapper em contextualizar o cotidiano urbano com a vivência amazônica. São elas: “Flutuante”, “A Ponte”, “Amor de Robô”, “Mar Salgado”, “Pagar de Doido”, “Envenena a Flecha”, “Cheiro Bom” e “Indígenas de Amores”. Além da música, o projeto terá fragmentos documentais, trazendo o depoimento de quem hoje encabeça a luta para realizar o sonho de recuperar os igarapés da capital.
Os depoimentos serão intercalados com imagens captadas em locais como a Orla do Amarelinho e Feira da Panair, no bairro Educandos, a Feira da Manaus Moderna, e “braços” de igarapés nos bairros Novo Aleixo, São José, Comunidade da Sharp, entre outros.

O vídeo foi gravado mês passado, na sede do Programa de Restauração Ecológica e Urbanização Sustentável da Amazônia (Reusa), no bairro Redenção. Foto: Divulgação
O vídeo foi gravado mês passado, na sede do Programa de Restauração Ecológica e Urbanização Sustentável da Amazônia (Reusa), localizado no bairro Redenção, que tem apoio da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e beneficia um coletivo de aproximadamente 30 mulheres com geração de renda, por meio de artesanato e reciclagem.
As peças utilizadas no figurino de Jander foram confeccionadas pelo coletivo, mostrando que o rap também é sustentável. “O rap tem muito essa pegada de ostentação. Mas a mensagem que eu queria transmitir é que hoje, ostentar é ser sustentável. E ter essa dinâmica com a sustentabilidade foi fundamental. Eu quis trabalhar esse lado de reutilização, com material pet. A gente utilizou algumas luminárias, um cocar feito de peça de ventilador, canudinhos, CDs, bastante material reciclável”, comentou Jander.
O rapper Jander Manauara atua no circuito independente desde 1999 e, em 2001, com o grupo Mensagem Positiva, foi eleito MC revelação pelo Movimento Hip Hop Manaus (MHM), e no período de 2000-2002 formou a banda ABDZ, mas sem registro posterior. Participou como DJ do grupo Consciência Profética entre os anos de 2003 a 2005, e fez seu primeiro registro solo como rapper com o EP de 2003, intitulada “Quase Nada”.
O regionalismo em forma de poesia soma-se ao ritmo (rap, ritmo e poesia) com sincronismo da dupla DJ Carapanã e Jander Manauara, registrado no primeiro disco em 2008, com o título de “Num vale 1 real!”. Em 2009, a dupla participou do festival Até o Tucupi, promovido pelo Coletivo Difusão (AM) e o circuito Fora do Eixo de Música (DF).