
Entrevista exclusiva Tony Medeiros (direita), que se despediu do prefeito Bi Garcia. Na foto, os dois durante a campanha da reeleição, ano passado
A ausência da mãe, dona Geny, falecida recentemente, entristeceu o dia da notícia do mandato de deputado estadual para Tony Medeiros, com a posse de Josué Neto no Tribunal de Contas do Estado (TCE). “Chorei por ela e pelos meus amigos que se foram”, conta. Ontem, sexta (19/03), Tony teve o encontro oficial de despedida do prefeito Bi Garcia. Renunciou ao mandato de vice-prefeito de Parintins, que iria até 2024, conquistado ano passado. Os dois se tornaram muito próximos, com a convivência na Prefeitura, a ponto de terem formado chapa na eleição e reeleição.
Tony Medeiros – Sim. Estamos dando todos os passos legais para isso. Ontem, fiz as despedidas oficiais do Bi (Garcia). Nada formal e nenhuma surpresa. Algumas recomendações, de ambos, assinaturas de atos e tudo certo. Vamos para a posse.
Tony – Pensei muito sobre isso. E conversamos bastante, eu e o prefeito Bi Garcia. A questão é que posso ajudar na condução de demandas do Município, como deputado estadual. Adquiri, por outro lado, uma experiência muito grande quanto aos problemas do interior. Como Parintins vai muito bem, com uma Prefeitura organizada, em termos administrativos e financeiros, sobrará tempo para ajudar outros prefeitos. O balanço final mostra que as vantagens, de um parlamentar com essa experiência, são maiores que as desvantagens. Às vezes as coisas vêm cedo demais. Outras vezes muito tarde. Acho que esse mandato vem na hora certa. E tem mais…
Tony – Eu soube da saída do Josué Neto na véspera. Fui a Manaus, conversei e fiquei a par de tudo. Foi um dia ruim, ao contrário do que a maioria pode pensar. É que havia perdido minha mãe, Dona Geny, para o câncer. Ela participou de todas as minhas posses, sempre na primeira fila, me oferecendo imenso orgulho. A partida dela me fez refletir e, naquela hora, diante da notícia e sabendo que ela não estará na posse, chorei muito. Lembrei dos amigos que partiram, recentemente, como o Emerson Maia (compositor). Foram tantos, que não cito outros para não magoar ninguém. E chorei novamente. Vou para esse mandato de coração aberto e disposto a usar toda a experiência adquirida, nesses mais de quatro anos compartilhando a Prefeitura de Parintins com o Bi. Minha decisão tem muito a ver com minha mãe e os que partiram na pandemia. Todos temos deveres para com eles.
Tony – Não. Em absoluto. Mas vou para lá como um reforço. É como um jogador que entra com o time ganhando e quer ampliar o marcador. Tem as questões políticas, relacionadas a interesses políticos. Isso a gente vai resolver conversando. O importante é que quem ganha é Parintins – como diz o Codó, um praticante de corridas pedestres muito conhecido na cidade (risos).
Tony – Temos que começar a pensar no que será feito do Festival de Parintins. Vamos para o segundo ano de pandemia e a realização da festa precisa ser estudada com muito cuidado. Jogos de futebol estão sendo realizados sem público, no planeta inteiro, e shows agora só em lives. O problema é que o Festival de Garantido e Caprichoso sobrevive da tradição. Quem não vive a festa por dentro não faz ideia do tamanho do esforço que é feito para realizá-la. Muito desse trabalho depende de continuidade. Muitos dos ferros de alegorias, só para dar um exemplo, são reaproveitados. Alguns deles, porém, com o passar do tempo sem uso, ficarão inutilizados. Os artistas, por outro lado, alimentam seu trabalho da demanda anual. Retiram o sustento do Carnaval, principalmente no Rio e São Paulo, e do Festival. Se não tem nada disso, eles vão em busca de outras ocupações, tirando a cabeça da Festa dos Bumbás. Você já imaginou o custo que será começar tudo do zero? Vamos pensar sobre essas e outras demandas, com as autoridades estaduais.
Tony – É a questão mais importante do momento. Se a gente consegue equacionar a pandemia, os dramas do momento, como do Festival, emprego, comércio e indústria desaparecem. Em Parintins, o que vi, com visitas diárias ao hospital de referência em Covid-19, o Jofre Cohen, é que infraestrutura salva vidas. Marcamos pontos positivos, como a compra de usinas de oxigênio. E estamos prontos para marcar outros, dos quais o maior é a instalação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), que devem ser as primeiras do interior amazonense. Sem contar a luta por vacinas. Parintins é o maior polo do Médio e Baixo Amazonas, em nosso Estado, rivalizando até com Santarém, no Pará. Se a gente consegue vacinar a população, em todo o Município, vamos frear grande parte da propagação do coronavírus. É uma repetição do que acontece com todo o Amazonas. É incompreensível que o Governo Federal não tenha vacinado o Estado inteiro, como prioridade. Tomara que o novo ministro da Saúde, sem as amarras do ministro Pazuello, consiga fazer essa vacinação.
Tony – Não tenho certeza, mas o certo é que ele podia ter determinado prioridade e vacinado todo o Amazonas. Talvez tenha se sentido constrangido por ter sido criado e vivido a vida inteira em Manaus. Mais ou menos como o Arnaldo César Coelho, comentarista da Globo e ex-juiz de futebol: ele era flamenguista, mas quando apitava jogo do Flamengo, para parecer imparcial, prejudicava o time marcando tudo contra.
Tony – Precisamos ajudá-lo. Eu fico impressionado com os ataques que o governador recebe, diretos, insistentes, numa hora em que está no comando do combate a essa pandemia terrível. Tudo bem que política tem dessas coisas, mas a impressão é de que esse pessoal foi o único que não sofreu a perda de familiares e amigos para o coronavírus. Vamos ajudar a combater a pandemia. Eleição só no ano que vem.