
AM tem a maior taxa de transmissão da Covid no Brasil e consumo de oxigênio pode chegar a 135 mil metros cúbicos. Foto: Arquivo
Para quebrar a cadeia de alta transmissão da Covid-19 em Manaus durante a segunda onda da pandemia, o Governo do Estado decretou, a partir de segunda-feira (25) até o dia 31, toque de recolher de 24 horas para circulação de pessoas na capital, com exceção de serviços essenciais e indústria.
A taxa de transmissão no Amazonas está em 1,3, o que significa dizer que cada 100 pessoas infectadas tem capacidade de contaminar outras 130. Com as unidades da rede pública com ocupação máxima de mais de 100%, operando no limite, e a rede privada com 90% de ocupação, a preocupação do Estado é também conter o avanço no interior.
“Estamos estruturando o interior, mas observamos nos últimos dias o aumento de necessidade de internação de pacientes, que aumentou cinco vezes, tendo ainda a alta incidência. Há estudos avançados com pessoas internadas na capital, em relação às reinfecções e à nova cepa do coronavírus, o que poderia explicar o súbito e exponencial aumento de casos na última semana de dezembro de 2020 e na primeira de janeiro”, explicou o secretário de Saúde, Marcellus Campêlo.
Hoje, o Sistema de Regulação tem 584 pacientes aguardando uma vaga para internação, sendo 101 para Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Eles estão em SPAs, UPAs, salas rosas ou vermelhadas, aguardando uma transferência. “E ainda pode haver demanda reprimida de pacientes que desistem de procurar assistência e ficam em casa. Já realizamos a transferência de quase 200 pessoas para tratamento em outros Estados, o que reduziu a pressão na rede local”, afirmou o secretário.
Quanto à crise do oxigênio, hoje o consumo na rede pública e privada é de 75 mil metros cúbicos. No pico da primeira onda da pandemia, entre abril e maio do ano passado, esse consumo atingia 30 mil metros cúbicos. “Precisamos de mais oxigênio para garantir a rede que temos hoje e para ampliar o número de leitos. As nossas estimativas é de que vamos precisar de 120 mil a 135 mil metros cúbicos de oxigênio para abrir leitos no Hospital e Pronto Socorro Delphina Aziz, no HUGV, no Hospital Nilton Lins e no interior. No interior temos 1.500 leitos livres, não Covid, mas se necessário viramos a chave para Covid e precisaremos de apoio de cilindros de oxigênio”, disse Campêlo.
Para o governador Wilson Lima, é preciso trabalhar para prevenir o impacto do vírus na segunda onda no interior, com a aquisição de cilindros e encaminhando mini usinas de produção, inclusive com 5 que foram doadas pelo hospital Sírio Libanês ao Estado. “Estamos comprando mais 20 mini usinas que serão instaladas no interior para colocar a maior quantidade possível nos municípios para garantir auto-sustentabilidade no abastecimento de oxigênio. Conversamos com os prefeitos e o Estado vai liberar R$ 100 milhões. Vamos enviar uma mensagem à Assembleia Legislativa e tão logo seja autorizada estará disponível R$ 30 milhões para essa compra”, adiantou o governador.
No início da entrevista coletiva, Wilson Lima lembrou que os último dias tem sido muito difíceis e praticamente tem alguém com parente precisando de leito, com conhecidos e amigos falecidos, alguém doente. “Ontem tivemos a perda de alguém que sempre esteve lançando luzes no combate a esse vírus. Dedicou mais de 25 anos da sua vida tratar de doenças infecciosas. A doutora Rose (farmacêutica bioquímica Rosemary Costa Pinto, 61) passava mais tempo aqui e na FVS do que com a família. Ela deixa um legado. Faz muita falta e é uma perda irreparável. Estamos chocados com essa ida. Mas ela serve de inspiração e sempre esteve nos motivando na batalha e na luta. Apesar de tudo que enfrentou, não esmoreceu em nenhum momento, esteve sempre na linha de frente”.
O Governo do Amazonas decretou ontem luto oficial de três dias em todo o Estado, pelo falecimento de Rosemary Pinto. O decreto considera a relevância social e histórica da profissional para o povo do Estado do Amazonas, com atuação sempre pautada pela busca da melhoria da qualidade de vida da população.
Com mais de 25 anos de carreira, Rosemary era diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) e foi incansável na luta contra a Covid-19, desde o início da pandemia, norteando os caminhos do Estado mesmo quando pouquíssimo se sabia sobre o novo coronavírus.
Epidemiologista de carreira na FVS-AM, Rosemary era formada pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Osvaldo Cruz – ENSP/Fiocruz; e especialista em Informação e Informática em Saúde pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
FVSRosemary foi uma das idealizadoras da FVS-AM, juntamente com um grupo técnico composto por sanitaristas, epidemiologistas e infectologistas. Atuou como gerente de epidemiologia e como diretora de vigilância em saúde da Secretaria de Estado se Saúde, além de ter sido assessora técnica de vigilância em saúde e diretora técnica da FVS-AM.
Foi docente na cadeira de epidemiologia e saúde coletiva do curso de Medicina da Universidade Nilton Lins, durante cinco anos. É membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e da Associação Brasileira de Profissionais de Epidemiologia de Campo (Proepi).
Rosemary Costa Pinto atuou, por 22 anos, como representante do Amazonas na Câmara Técnica de Vigilância em Saúde do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass). A vasta experiência incluía controle de surtos, epidemias e situações inusitadas, trabalhando ativamente em todos os surtos registrados no estado ao longo dos últimos 25 anos.
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