É comum o questionamento de que sobram vagas para emprego e faltam pessoas para assumirem esses postos de trabalho disponíveis. O que isso significa: Um contrassenso de exigências? Uma dicotomia de necessidades? Uma inversão de requisitos? Uma contabilidade que não fecha seu balanço? Enfim, qualquer que for a resposta, teremos que avaliar um número amplo de variáveis para poder chegar a uma explicação plausível para o tão famigerado apagão de talentos.
Uns costumam falar de apagão da liderança, se não tem bons líderes não tem bons liderados. Outros falam em apagão de comprometimento, se não há comprometimento com os resultados e com as metas, não há continuidade e manutenção das instituições e consequentemente dos profissionais.
É essencial que as pessoas estejam atentas aos cenários e tendências mundiais, globais, nacionais, locais, isto é, para onde caminha o mundo dos negócios, será para lá que necessariamente irá caminhar o mundo do trabalho. As organizações por força da competitividade tornam-se extremamente dinâmicas em seus processos. Se olharmos as pessoas, potenciais profissionais, se não houver o mesmo dinamismo no seu aprendizado e na aquisição de novos conhecimentos e tecnologias, certamente esses pares nunca se encontrarão e a conta nunca se fechará.
Primeiro, porque não existem duas empresas iguais. Portanto, é preciso entender e saber o que a empresa produz e o que ela precisa para seu quadro de colaboradores em primeiro lugar. É preciso conhecer o DNA da empresa, porque ele é fundamental para saber a estratégia de processos e produtos e seus concorrentes. Conhecer então os estilos de gestão, os paradigmas empresariais, os comportamentos estabelecidos e, sobretudo, se existe conexão com seu DNA profissional de valores, princípios e estilo. Isso não é uma tarefa fácil, mas que ajuda na decisão e na garantia de sua escolha para conquista de um novo trabalho.
Treinar, Qualificar, Capacitar, Pesquisar, buscar informações sobre os segmentos em alta, as empresas que estão contratando e que tipo de competências elas estão exigindo é o mínimo que um candidato deve perseguir para ser inserido no mercado de trabalho.
As exigências estão maiores, não só técnicas, mas também comportamentais, não basta saber fazer, tem que querer fazer e fazer diferente.
Não tem milagre nesse encontro de contas entre a demanda do mercado e a oferta de profissionais. Tem um gap que precisa ser administrado pelos dois lados para que se encontre o denominador comum que seja bom para as partes. Dificilmente vai haver a empresa perfeita e o perfeito empregado. Terão sim, como num protocolo de intenções, muitos ajustes a serem feitos, muitas expectativas a serem atendidas e muitos produtos a serem entregues aos clientes.
Tem muita vaga disponível, muitas pessoas procurando emprego e as empresas reclamando. Se cada um fizer a sua parte, logo teremos um Clarão de Talentos.
Como o mundo perfeito não existe, temos uma grande jornada pela frente. Todos estão convidados porque a perfeição é o mundo ideal.
Ozeneide Casanova Nogueira é advogada e assistente social, com MBA em Gestão de Pessoas (FGV-ISA...