
Bolsonaro discursou na abertura da 75ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Foto: Marcos Corrêa/PR
A Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas (FAMDDI), o Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas
(FOREEIA) e outras entidades do Amazonas repudiaram o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Organização das Nações Unidas (ONU), na semana passada. “O presidente do Brasil mente”, diz o título da nota conjunta.
No texto, as entidades manifestam “repúdio veemente às declarações feitas” pelo presidente na última terça-feira (22/9), na abertura da 75ª sessão da Assembleia Geral da ONU.
“O presidente brasileiro não apenas mentiu aos chefes de Estado e à sociedade mundial em seu discurso como expôs a forma do atual governo brasileiro tratar os povos indígenas, as populações tradicionais, a Amazônia, o Pantanal, e o meio ambiente em geral. Desprezo pela vida”, afirma a nota.
Na avaliação das entidades, a fala do presidente “constrange a maioria da sociedade brasileira perante a comunidade internacional”. As instituições disseram, ainda, que o discurso demonstra “a disposição do governo Bolsonaro em governar para uma minoria, os que lucram com o fogo, com o desmatamento e com os ataques e assassinatos de indígenas, quilombolas, agricultores familiares, pescadores”.
De acordo com a nota conjunta, “responsabilizar indígenas e caboclos pelo fogo que queima a Amazônia é uma atitude de agressão e profundo desrespeito misturados à ignorância estratégica para desviar a atenção do que é necessário e urgente reparar: a omissão consciente do governo Bolsonaro diante das tragédias que ocorrem no Brasil e afetam milhares de brasileiros”.
Segundo as entidades, o presidente “tripudia” diante da dor do povo brasileiro. “Não respeita o cargo que ocupa”.
A nota é assinada por instituições amazônicas. Entre elas estão: Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas ((Adua); Associação das Mulheres Indígenas do Rio Negro (AMARN); Conselho Indigenista Missionário (Cimi-Norte I); Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena (Foreeia); Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SJP-AM) e Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami (Secoya).