13/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Briga por fortuna de Ritta Bernardino já faliu o Ariaú Towers, está falindo o Mônaco e divide irmãos. Veja linha do tempo

Publicado em 04 de junho, 2020

Briga por fortuna de Ritta Bernardino

Briga por fortuna de Ritta Bernardino é antiga. Na foto, dia 21 de janeiro de 2016, visita para atestar se ele estava lúcido: O presidente da OAB-AM, Marco Aurélio Choy (esquerda), a agora viúva Rosa, Ritta (sentado), Glen Wilde e Robert Lincoln, durante a visita, no dia 21 de janeiro, à casa do empresário-advogado. Foto: FaceBook da OAB-AM

A riqueza acumulada por um dos advogados e empresários mais ricos do Amazonas, Francisco Ritta Bernardino, é alvo de disputa feroz. O espólio é composto por centenas de imóveis, espalhados por Brasil, Estados Unidos e Europa. São oito herdeiros, todos filhos, quatro do primeiro casamento, três de relações extraconjugais e um da viúva, Maria da Conceição, que ele chamava de Rosa. A viúva, que viveu 36 anos com Ritta, é inventariante e meeira. Essa posição significaria que tem direito a metade dos bens deixados, por contrato de casamento e não pelo falecimento.

Desde já, o portal franqueia a palavra a qualquer das partes envolvidas, a qualquer momento, para oferecer versão diversa sobre o litígio.

Ritta Bernardino faleceu no dia 12 de maio de 2018. O mais conhecido dos imóveis dele, o hotel Ariaú Jungle Towers, foi leiloado e abandonado, por dívidas, a maioria trabalhistas. O outro, o hotel Mônaco, esquina da avenida Constantino Nery com rua Silva Ramos, segue o mesmo caminho.

Terça-feira, a Amazonas Energia fez o enésimo corte no hotel Mônaco. O fornecimento foi interrompido, oficialmente, em janeiro de 2017, por uma dívida de R$ 1.236.805,90 com a concessionária. Desta vez, uma ligação clandestina foi flagrada: a energia, trifásica, estava ligada no ramal do imóvel vizinho. O “gato” oferecia risco, segundo a empresa, para hóspedes e funcionários.

 

Lados e versões da disputa

Os litigantes pela fortuna de Ritta Bernardino estão definidos. São filhos do primeiro casamento Édson (mais velho), Edilson, Eliene e Ellen. Todos têm o mesmo sobrenome, Ritta Honorato. Francisco Ritta Bernardino Júnior é o único filho do segundo casamento, com Maria da Conceição, a Rosa. Os extramatrimoniais são Eduardo Ritta Bernardino, 20 anos, e as crianças LFRB, 13, e GFRB, 10.

A viúva tem apoio de Edson e Eliane, que mora nos EUA. Conta com os três extraconjugais, inclusive as duas crianças. O Ministério Público do Amazonas (MPAM) foi acionado para apoiá-los. Do outro lado estão Edilson e Ellen Ritta.

Em vida, o empresário e advogado passou alguns imóveis para os nomes de Ellen e Edilson. Um deles é o hotel Mônaco, administrado por Edilson. A inventariante quer a retomada desses imóveis e entrou com ação judicial para isso. Rosa alega que Ritta gravou vídeo pedindo a devolução dos imóveis.

Francisco Ritta Bernardino, no fim da vida, acometido de Parkinson, teve a própria capacidade mental questionada, judicialmente, pelos filhos. A viúva foi acusada de manipulá-lo, utilizando doses cavalares de remédios. O juiz Luiz Cláudio Chaves, que julgava o pedido de interdição, e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM), Marco Aurélio de Lima Choy, chegaram a ir à casa dele. Saíram dizendo que Ritta continuava dominando o que acontecia ao seu redor. Depois, a interdição foi concedida, mas a guarda ficou com Rosa.

A disputa pela fortuna de um dos homens mais ricos do Amazonas segue. Sem data para acabar.

 

Veja a linha do tempo dos fatos envolvendo vida e litígio de Ritta Bernardino, segundo a viúva, inventariante e meeira:

  • 1985 – Constituída a River Jungle Ltda, nome de fantasia do Ariaú Amazon Towers. Sócios: Ritta 98% e Maria da Conceição (Rosa, segunda esposa e meeira do espólio) 2%.
  • 1990 – Ritta põe na sociedade os filhos Ellen, Eliane e Edilson, que, a partir desse momento, passaram a judar o pai na administração do hotel. Com o passar do tempo, Ritta foi adoecendo e os filhos, principalmente Ellen, passaram a ter mais voz ativa na administração do Ariaú.
  • a partir de 2010 – Ellen Ritta assume 100% da administração do Ariaú.
  • 2013 – Ellen se retira da sociedade e põe o meio irmão Ritta Jr.
  • 2014 –Ritta sofre um acidente de carro, em frente ao Mônaco, e bate a cabeça. Isso teria desencadeado o processo de Parkinson, deixando-o ainda mais debilitado.
  • 2015:

o       Ariaú fecha as portas, afundado em dívidas.

o       Em abril, Ritta passa a administração do Mônaco para a empresa Amazon Geographic Hotéis Ltda., do filho Edilson Ritta. Havia neste momento uma dívida de energia elétrica no valor de R$ 394.851,87, que foi condicionada, no mesmo contrato entre pai e filho, para que Edilson pagasse. Acertaram que, mensalmente, seria feita prestação de contas e que, dos dividendos do Mônaco, Ritta ficaria com 20% e Edilson com 80%. Essa dívida nunca teria sido paga pelo herdeiro, como também a prestação de contas nunca teria sido feita.

  • A partir daí, com Ritta já debilitado e em casa, Rosa acusa Edilson e Ellen de pedir para o pai assinar documentos. Maria da Conceição (Rosa) passou a não permitir, desconfiando que pudesse ser algo irregular. Ritta, esposa e enfermeiras viajaram para o Rio de Janeiro. Os dois filhos acusaram a esposa de ter sequestrado o pai. Ao retornarem da viagem, alegando que os filhos tentavam fazer Ritta assinar documentos, Rosa proibiu Ellen e Edilson de entrarem na casa.
  • Ellen e Edilson movem ação de interdição do pai, pedindo a guarda do mesmo. Pediram, judicialmente, busca e apreensão. Ritta foi levado de casa para a casa de Ellen.
  • Ritta teria fugido e voltado para a casa de Rosa. Recusou a volta para a casa da filha.
  • A interdição foi autorizada pela justiça, mas a curatela foi dada a Maria da Conceição (Rosa).
  • 12 de maio de 2018. Morre Francisco Ritta Bernardino. Edilson e Ellen entram com ação de inventário, solicitando que a mãe deles, separada do falecido desde 1982, fosse a inventariante. A justiça definiu que, pela ordem de preferência, a inventariante fosse a então esposa, há 36 anos, Maria da Conceição.
  • Edilson foi então notificado para entregar o Hotel Mônaco. A inventariante queria buscar e trazer para dentro do espólio os bens. Edilson não cedeu e desde então se recusa a entregar o imóvel.

•       Em 2019, a inventariante entra com uma ação para a reintegração da posse do Hotel Mônaco, assim como com ação de solicitação da prestação de contas, prevista no contrato entre pai e filho. Alegou a necessidade de identificar dívidas que pudessem vir a incidir sobre o espólio. Edilson não devolveu o imóvel, nem teria apresentado a prestação de contas.

CONTRATO-ADM- E-PREST SERV-RIVER-MONACO-AMAZOM GEOGRAPHIC

CERTIDÃO DE INTERDICAO E CERTIDAO DE NASCIMENTO-RITTA

SENTENÇA-DE-INTERDICAO-E-TERMO-DE-COMPROMISSO-CURADORA

SENTENCA DOS EMBARGOS

DECISAO INTERLOCUTORIA-NOMEACAO DA INVENTARIANTE-MARIA DA CONCEICAO

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